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Arquivo: Edição de 21-07-2010

SECÇÃO: Desporto

Volta a Portugal em Bicicleta
Torre e ''crono'' ditam lei antes da festa em Lisboa

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A subida à Torre, a quatro dias do final, e o contra-relógio individual, na penúltima etapa, serão os momentos mais decisivos da 72.ª edição da Volta a Portugal em bicicleta, na estrada entre 4 e 15 de Agosto.
Após nove edições consecutivas a fechar com um ‘crono’, a principal corrida do calendário luso reserva desta vez o decisivo exercício para a penúltima etapa e oferece uma jornada de consagração ao camisola amarela, no último dia, em Lisboa, extremo sul de uma prova de 1613,9 quilómetros, em que não cabem o Alentejo e o Algarve.
Após nove dias de corrida, prólogo de Viseu (5,5 km) incluído, com um de descanso pelo meio, os 32,6 quilómetros de ‘crono’ entre a Praia do Pedrógão e Leiria merecem especial atenção dos pretendentes à sucessão do espanhol David Blanco.
O desgaste acumulado até aí, numa competição habitualmente disputada sob elevadas temperaturas, será um factor determinante para os candidatos ao triunfo, dois dias após aquela que se afigura como a mais selectiva das 11 tiradas.
A sétima etapa (168 km), com partida em Idanha-a-Nova, apresenta o maior obstáculo da Volta, a subida à Torre, no coração da Serra da Estrela. Para chegar ‘ao tecto’ da Volta (1961 m de altitude), onde a meta coincide com contagem de montanha de categoria especial, é necessário ‘escalar’ 28,5 quilómetros desde Seia, com cinco por cento de inclinação média. Antes, na difícil subida entre Vide e a Portela do Arão, os corredores já terão passado pelo Carrazedo, contagem de primeira categoria (11,7 km a 5,2%) que promete fazer as primeiras mossas de um dia em que o grau de resistência também se mede pela capacidade de recuperação das duas jornadas anteriores.
Na véspera, a ligação entre Moimenta da Beira e Castelo Branco não apresenta dificuldades orográficas, mas será uma etapa previsivelmente quente e a mais longa de todas, com 221,1 quilómetros, um dia depois do ‘sobe e desce’ entre Fafe e Lamego (172,4 km), que proporciona mais uma das quatro chegadas em alto da Volta, embora de segunda categoria.
As outras acontecem antes do dia de descanso (9 de Agosto). Na segunda etapa (Aveiro-Santo Tirso, 152,3 km), que culmina no alto de Nossa Senhora da Assunção, onde se jogam alguns segundos entre os favoritos, e na quarta (Barcelos-Mondim de Basto, 175,8 km), que termina na ‘incontornável’ Senhora da Graça.
A tradicional subida de primeira categoria ao Monte Farinha (8,2 km a 7,7 %), antecedida pela do alto de Campanhó (13,1 km a 5,5 %), poderá definir, em véspera do dia de descanso, o camisola amarela da primeira fase da corrida, cujo primeiro líder será conhecido no prólogo de Viseu, um ‘mini crono’ à medida dos especialistas e dos “sprinters” mais resistentes.
Os finalizadores mais velozes terão oportunidade para brilhar na primeira etapa (Gouveia-Oliveira de Azaméis), na terceira (Santo Tirso-Viana do Castelo), na sexta (Moimenta da Beira-Castelo Branco), na oitava (Oliveira do Hospital-Oliveira do Bairro) e na última (Sintra-Lisboa).

Orçamento mais magro em prova para «corredor completo»

Com o orçamento reduzido e condicionada pelos contratos plurianuais da organização, a 72.ª Volta a Portugal em bicicleta é a prova «possível», mas o director, Joaquim Gomes, está garante que o vencedor terá de ser «um corredor completo». «O homem que vier a ser consagrado no dia 15 de Agosto, em Lisboa, terá que ser um corredor necessariamente muito completo. Vai ter de estar muito atento nas etapas de transição. São também proporcionados locais para chegadas ao sprint, em que os velocistas terão a sua oportunidade», afirmou Joaquim Gomes, durante a apresentação da corrida, em Lisboa.
No salão nobre da câmara municipal, o director da prova, vencedor das edições de 1989 e 1993, assegurou que o traçado, desde do prólogo de Viseu, a 4 de Agosto, até ao final, vai continuar «a fazer apelo à capacidade de recuperação» dos corredores, sublinhando que, apesar do abandono do formato com contra-relógio final, «é subjectivo dizer que [a última etapa, entre Sintra e Lisboa] será uma etapa de consagração, porque em termos de relevo não tem condições para que o seja».
Para aqueles que querem suceder a David Blanco, incluindo o próprio espanhol, Gomes não tem dúvidas: «Há pelo menos dois dias em que os principais protagonistas terão de obter resultados - aos quais teremos de juntar o contra-relógio - que serão a etapa da Senhora da Graça e etapa da Torre».
Confessando que esta não é prova desejada - deixando de fora o sul do país -, Joaquim Gomes admite saber «perfeitamente que é a volta possível dentro de um contexto em que continuará a ser o grande evento do Verão português», apesar das dificuldades causadas pela crise e que se reflectem na entidade organizadora, a PAD/João Lagos Sport.
Uma ano depois de ter perdido o seu 'title sponsor', o logótipo da João Lagos Sport vai continuar a ornamentar a camisola amarela, símbolo da liderança, «uma estratégia que não coloca em risco a saída para a estrada».
O promotor do evento, João Lagos, disse à agência Lusa que «emagreceu-se aquilo que era possível, mas é uma grande esforço financeiro para a empresa» suportar um orçamento que baixou dos cinco milhões de euros. «É ligeiramente menos, foi possível economizar em algumas rubricas, mas não muito. São números já muito trabalhados, abaixo dos quais já não é possível economizar muito mais», explicou.

<Caixa> Etapas da Volta a Portugal

4 Agosto, Prólogo: Viseu - Viseu, 5,5 km (CRI)
5 Agosto, 1.ª etapa: Gouveia - Oliveira de Azeméis, 188 km
6 Agosto, 2.ª etapa: Aveiro - Santo Tirso (Sra. Assunção), 152,3 km
7 Agosto, 3.ª etapa: Santo Tirso - Viana do Castelo, 173,7 km
8 Agosto, 4.ª etapa: Barcelos - Mondim de Basto (Sra. Graça), 175,8 km
9 Agosto: Dia de descanso
10 Agosto, 5.ª etapa: Fafe - Lamego, 172,4 km
11 Agosto, 6.ª etapa: Moimenta da Beira - Castelo Branco, 221,1 km
12 Agosto, 7.ª etapa: Idanha-a-Nova - Seia (Torre), 168 km
13 Agosto, 8.ª etapa: Oliveira do Hospital - Oliveira do Bairro, 169,9 km
14 Agosto, 9.ª etapa: Pedrógão - Leiria, 32,6 km (CRI)
15 Agosto, 10.ª etapa: Sintra - Lisboa, 154,6 km
Total: 1613,9 km.

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