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Dirigente histórico do Partido Comunista de Seia
Morreu Amândio Melo

Amândio Melo foi nas últimas eleições autárquicas mandatário concelhio de Humberto Mota Veiga
Amândio Melo foi nas últimas eleições autárquicas mandatário concelhio de Humberto Mota Veiga
Amândio de Sena Cunhal Melo, o "mano velho", acaba de partir.
Vítima de doença prolongada, o notável anti-fascista senense acaba de deixar-nos de forma previsível, mas não menos dolorosa. O histórico comunista, fundador do Partido em Seia, pautou toda a sua vida pelos princípios do ideal marxista, firme nas suas convicções, mas sempre tolerante para com as correntes divergentes e inclusive para com quem defendia, na sua presença, ideias contrárias às suas.
Defendeu inapelavelmente os seus princípios e bateu-se fervorosamente pelas suas convicções contra as contrárias, mas nunca contra as pessoas que as defendiam. Foi, nesse sentido, ouso dizê-lo mesmo a quente, o verdadeiro Gandhi senense. Quereria Amândio Melo que se dissesse, nesta hora, que foi comunista até ao fim. Está dito. Por ser verdade.
Nas tertúlias dos finais de tarde do “Etc&Sal”, em que durante anos se discutiu toda a actualidade política regional, nacional e internacional, a sua voz impunha-se naturalmente pela clareza e sensatez com que dirimia a sua argumentação, sempre alicerçada muito mais na experiência de uma vida preocupada com a causa política do que em chavões ou em "cassetes" importadas da Soeiro Pereira Gomes. Intransigente perante a invasão do Iraque pelos EUA, terá sido esta, provavelmente, a sua última batalha ideológica.
Nessa acompanhei-o totalmente. Noutras, em muitas outras, não.
Apesar disso, o respeito e a admiração que sempre nutri por um Homem corajoso - que nunca temeu as obscuras pressões e o doloroso estigma de se ser conotado como "comunista" numa pequena vila do interior, no tempo da PIDE, muito antes do 25 de Abril; um homem que aliava a intransigência nos seus ideais a uma incrível sensíbilidade e uma sólida sensatez, - faz-me evocar a sua memória, que confere pleno sentido à palavra "camarada".
Nascido em Seia, em 8 de Dezembro de 1931, Amândio Melo fez os seus estudos no Colégio Dr. Simões Pereira. Trabalhou na Conservatória do Registo Civil, ao lado de seus pais, até Setembro de 1948, data em que ingressou na Empresa Hidroeléctrica da Serra da Estrela (EDP), onde se reformou como Técnico de Contas. Militantes comunista desde a sua juventude, fez a campanha do general Humberto Delgado em 1958. Foi preso pela PIDE em 1961. Após o 25 de Abril, fez parte dos quadros regionais e locais do PCP. De 1982 a 1989 foi membro eleito do PCP na Assembleia Municipal.
À memória de um dos últimos grandes Senenses Políticos do século XX.
Até sempre, "Mano Velho". Até sempre, Camarada.

João Tilly

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