Porta da Estrela
Edição de 02-10-2017
Secções

Pesquisa

Utilidades
Subscrever RSS Subscrever RSS
Arquivo
Inquéritos
Última Hora
Pesquisa Avançada
Futebol
Farmácias
Tempo
Registo
Estatuto Editorial
Ficha Técnica
Assinaturas
Links

Registo

Arquivo: Edição de 15-09-2017

SECÇÃO: Entrevista

Entrevista a Margarida Abrantes, candidata da CDU à Câmara de Seia
Margarida Abrantes não defende pagamentos antecipados da dívida mas sim uma reestruturação para libertar verbas
Margarida Abrantes não defende pagamentos antecipados da dívida mas sim uma reestruturação para libertar verbas
«Se ao longo dos últimos mandatos tudo o que foi feito não produziu qualquer efeito, há que mudar de estratégia»

Prestes a terminar o mandato, que balanço faz destes 4 anos?

Antes de mais queria sublinhar que a candidatura da CDU - Coligação Democrática Unitária distingue-se de todas as outras por não ser formada por individualidades. As mulheres e homens que compõem as listas da coligação PCP-PEV são conhecedores da realidade sentida no concelho de Seia nos vários domínios, como sejam o ensino, a saúde, a cultura, a agricultura, o poder local e o mundo do trabalho, num amplo projecto colectivo. E é precisamente neste contexto de apreciação do nosso trabalho que afirmamos que os eleitos pela CDU nos órgãos em que estavam representados, quer ao nível das Assembleias de Freguesia, quer a nível da Assembleia Municipal, executaram um trabalho que consideramos meritório, mas que a grande maioria das vezes não chegou às populações face à falta de informação veiculada pelos órgãos de comunicação local.
Como sabe fazíamos chegar aos jornais, nomeadamente ao Porta da Estrela, todas as nossas tomadas de posição. Tomadas de posição nas mais variadas áreas. Afirmamos, até, que interviemos em todos os pontos das Ordens de Trabalho, dando a nossa opinião política e apresentando propostas. Este é o balanço que fazemos quanto ao nosso trabalho nestes últimos 4 anos.


Como se propõe alterar o facto de o concelho de Seia ser dos Municípios do país que mais gente tem perdido?

Para nós a ausência de estratégia política, bem como a falta de qualquer eixo ou iniciativa de desenvolvimento, não só do Município mas da política de direita posta em prática por 4 décadas de governos PS e PSD, com ou sem CDS, que deixaram o interior abandonado, embora tentem passar a ideia de que combatem a desertificação/interioridade, mas a realidade é outra: fecho de escolas, fecho ou deslocalização de extensões de saúde, por exemplo, contribuem para esta desertificação.
A falta de investimento público, a destruição do aparelho produtivo e do emprego com direitos, o ataque aos serviços públicos são alguns dos factores decisivos para a perda de habitantes e, se não forem invertidos, o rumo vai continuar a ser este, perda de população.
As pessoas abandonam as suas terras, também, por falta de postos de trabalho. Não há emprego mas a ausência de estratégia e iniciativa de desenvolvimento contribuem para que a população, sobretudo os mais jovens, vão à procura de outras oportunidades.
As nossas propostas são estas: redução de impostos, taxas e tarifas, que são extremamente elevadas e, sobretudo, criação de postos de trabalho. Quanto à redução de impostos, por exemplo, temos vindo a propor a redução do IMI e de 5% do IRS. Fazemo-lo porque entendemos que é legalmente possível. Mas até hoje, exeptuando a minoração do IMI em algumas freguesias, não nos têm dado ouvidos. Quanto à criação de postos de trabalho, uma coisa garantimos: não ficaremos dentro dos gabinetes à espera que alguém venha ter connosco a dizer-nos que pretende investir no concelho de Seia. Sairemos dos gabinetes e iremos à procura de investidores. Não anunciaremos esses possíveis investimentos como factos consumados e fazendo deles meras campanhas de propaganda. Os exemplos, infelizmente, são imensos e o vosso jornal tem dado bastante ênfase a esses “possíveis investimentos” que mais não passam de que intenções. Basta mencionar fábricas, hotéis, agências, etc, etc.


Criticam sistematicamente a gestão autárquica de ausência de estratégia, salientando que não se conhece nenhum eixo ou iniciativa de desenvolvimento. Quais são as suas propostas nestes domínios?

Voltamos a frisar que tudo passa pela criação de postos de trabalho, pelo investimento, pelo incentivo à produção, nas mais variadas áreas, seja no sector privado ou no sector público. O executivo da Câmara Municipal tem vindo a escudar-se, ao longo destes últimos anos, que “Não há dinheiro”. Todos nós sabemos que a Câmara se encontra numa situação de falência, ou pré falência, em que a dívida acumulada para os próximos 20 anos se situa na casa das dezenas de milhões de euros. Se são setenta ou oitenta milhões a diferença não é por aí além. E é esta dívida que, palavras do executivo, condiciona a actuação da Câmara. Mas, temos de nos questionar sobre quem causou toda esta dívida. Não nos esqueçamos que o Partido Socialista tem estado à frente do Município desde 1977, com um ligeiro intervalo entre 1989 e 1993, em que o executivo foi do PSD. Assim, temos de chegar à conclusão de que o PS, o PSD e o CDS (executivo e vereação), estiveram sempre à frente dos destinos da Câmara nos últimos 40 anos. E o que se tem verificado é que tem havido um alijar de responsabilidades fazendo crer que a culpa do Estado em que se encontram as finanças da Câmara é de todos menos deles.
Já dissemos que não nos iríamos limitar a ficar nos gabinetes esperando que viessem ter connosco para efectuar investimentos. Quanto ao investimento uma coisa é certa: não procuraremos dificultar as empresas que se queiram instalar no concelho. Seja em que área for. A Câmara adquiriu por um milhão de euros as instalações da empresa Manuel Rodrigues Gouveia. E nós perguntamos para quê? Deixe-nos lembrar-lhe o seguinte: Quando da instalação da ARA em Seia, a Câmara colocou à disposição daquela empresa os recursos de que então dispunha. Na altura custou bastante dinheiro mas os resultados estão à vista.
Não iremos antecipar pagamentos da dívida como tem sido feito. Procuraremos sim fazer a sua reestruturação de forma a libertar verbas para podermos investir. Em todas as áreas. Outras das preocupações é a chamada transferência de competências e municipalização, que mais não são do que transferência de encargos, sem as reais e efectivas transferências de possibilidades de respostas.
Continuaremos a bater-nos por um papel activo e interveniente do Município junto do poder central, na necessária articulação e respeito pelo papel das freguesias, pela necessária gestão participada, responsável, descentralizada e transparente que potencie as imensas capacidades e riquezas que o concelho pode desenvolver.


Como pretende recuperar a influência que Seia perdeu na região Centro?

Não se trata de influência e sim das condições que Seia tem para dar à sua população, ao desenvolvimento do concelho e da região. A perda de serviços e a incapacidade reivindicativa do Município é clara. A inércia revelada pela autarquia é confrangedora. Seia já chegou a ser considerado como um concelho de referência não só no Distrito como, também, em toda a região Centro. Em todas as áreas: no Emprego, na Saúde, na Educação, na Cultura e no Desporto, entre outras áreas de desenvolvimento. Hoje encontramo-nos na situação que todos conhecemos.
A nossa linha prioritária será na captação de empresas e no consequente aumento de postos de trabalho. Consideramos esta acção como o principal polo de desenvolvimento. Sem ela nada mais fará sentido. Só a criação de postos de trabalho trará riqueza ao concelho e granjeará receitas para efectuar os investimentos que o concelho necessita.
Na Saúde, o reforço de valências do Hospital N. Sra. da Assunção é prioritário. Não podemos admitir, de braços cruzados, a perda de serviços que só causam prejuízo aos utentes e levam-nos a procurar noutros concelhos limítrofes soluções para os seus problemas de saúde. Na Educação, continuaremos a opor-nos, liminarmente, ao encerramento de Escolas, seja qual for o nível de ensino.
Queremos ainda lembrar o senhor Presidente da Câmara, Carlos Filipe Camelo, e o senhor Ministro da Educação do acordo de colaboração, assinado em 28 de setembro de 2016, entre ambos, com o objetivo de modernizar a Escola Secundária de Seia, recorrendo a fundos comunitários e que, até à data, nada se concretizou.
Na Cultura, além de uma ou outra oferta que se deve manter, queremos afirmar que há outras que devem ser reformuladas. E estamos a falar naquelas que são da inteira responsabilidade do Município, como por exemplo o CineEco. Connosco as Jornadas Históricas deverão continuar e colocar todos os esforços para que ultrapassem, ainda mais, os limites da cidade. Além disso, consideramos esta actividade cultural como o evento com mais nível que se faz em Seia.
No Desporto, propomo-nos reactivar o Grande Prémio de Atletismo de Seia, transformando-o num acontecimento desportivo a nível Nacional. E já agora, deixe-nos dizer que não compreendemos como é que Seia tem uma equipe de Atletismo na 1ª Divisão Nacional e essa mesma equipe não abraça um projecto desta natureza, sabendo nós que são canalizados anualmente muitos milhares de euros para a sua manutenção. Pela nossa parte haverá todo o apoio para esta iniciativa.
Colocaremos as infraestruturas do Município ao serviço da população com destaque para o Desporto Escolar. E nesta área se, ainda não há muitos anos, dizíamos que devíamos tirar as crianças da rua, nós dizemos agora que devemos tirar as crianças de casa e das actividades que têm nos chamados Centros de Tempos Livres. Não sendo contra estes centros, pois reconhecemos o papel que prestam às crianças e às famílias, mas acreditamos que o ar livre e o Desporto contribuem para o seu melhor crescimento. Assim, propomo-nos a abrir as infraestruturas da Câmara aos jovens e, construir, pelo menos, um recinto polidesportivo, ao ar livre, para que as crianças possam praticar o desporto que mais gostarem. E isto acompanhadas por técnicos da Câmara. Porque os há.


Como vê Seia no contexto da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela?

Não vemos. Alguém nos sabe dizer o que se passa na CIM das BSE? Além disso, acredite que a larga maioria dos habitantes do concelho nem sabe que esta entidade existe!
Muitas vezes algumas forças políticas do concelho mais não querem do que colocar personalidades do seu partido num ou noutro cargo que eles consideram de importância. Depois nunca mais se houve falar nem da sua acção nem da entidade para a qual foram nomeados. Passa-se isto com a CIM tal como se passou no Hospital Nossa Senhora da Assunção: tivemos um natural de Seia no primeiro Conselho de Administração da ULS da Guarda e, depois disso, tem sido o que nós sabemos.
As CIM’s não só não respondem à necessidade de um poder Regional por via das regiões administrativas, como são entidades que têm como objectivo central esvaziar os municípios de competências, atacando ainda mais a sua autonomia. É vermos o papel que têm tido na aceitação de encerramento de escolas, encerramento de Centros de Saúde, encerramento dos postos dos CTT, encerramento de Repartições de Finanças, enceramento de Tribunais, esvaziamento de valências hospitalares, a que se seguiu a extinção de Freguesias. Nunca é demais lembrar que as forças políticas dominantes no concelho, depois de uma ténue rejeição inicial, esqueceram liminarmente a revolta das populações ligadas historicamente às suas raízes e assentes na identidade das suas freguesias. Algumas delas com centenas de anos.
Mais uma coisa: soubemos no dia 1 de Setembro que houve uma reunião da CIM, em Seia, no passado dia 27 de Junho a fim de criar um pacote de programação designado “Cultura em rede das Beiras e Serra da Estrela”. Este programa foi contemplado com um milhão e trezentos mil euros. Para a sua implementação foi criado um grupo restrito de trabalho. De salientar que no dia 26 de Junho houve uma reunião da Assembleia Municipal de Seia na qual não houve qualquer tipo de informação sobre este assunto. É assim que trabalha a CIM das Beiras e Serra da Estrela.


Qual a sua estratégia para a crescente população envelhecida e para o aumento da vulnerabilidade por parte desta?

Não iremos cair na tentação fácil de nos substituir ao Estado, atribuindo subsídios que são, exclusivamente, da sua responsabilidade.
Em parte são medidas centrais que podem contribuir, como a valorização das reformas, o acesso à saúde, a reposição do direito ao transporte de doentes, as respostas públicas à 3ª Idade entre outras, mas também o Município pode e deve intervir entre outras matérias, no acompanhamento e respectivas articulações e apoios com entidades que intervêm junto dos mais idosos; a necessidade de eliminar barreiras arquitectónicas e melhorar a mobilidade, contribuir para melhor resposta de assistência e de mobilidade, assim como dinamização de actividades de tempos livres, potenciar o seu conhecimento, potenciar a relação intergeracional, bem como a necessária rede de acompanhamento e detecção de situações com as articulações necessárias entre as várias entidades que devem intervir.
Gostaríamos de chamar ainda à atenção para a população jovem, parte dela também bastante vulnerável e que não tem tido o mesmo apoio e a mesma atenção como a que é dispensada à população sénior. Será porque ainda não podem exercer o seu direito de voto? E queremos salientar, publicamente, o trabalho desenvolvido pelo Solar do Mimo no apoio que tem prestado a essas crianças.


Seia está a divergir daquele que é neste momento o principal motor da economia nacional: o Turismo. Como se propõe alterar esse facto?

Para a CDU o Turismo deve ser potenciado a partir do vasto património cultural, ambiental, arquitectónico e natural que Seia possui, mas não deve ser encarado como A Solução para os problemas do concelho. Não pode o Turismo nascer sobre o cadáver da produção e sim ser mais um factor de desenvolvimento. Mas também nesta matéria dizemos que existe inércia e falta de estratégia. Consideramos que é necessário implantar equipamentos de dinamização da actividade turística criando mecanismos de captação de investidores em equipamentos de lazer, turismo rural e agro-turismo.
Já propusemos a criação de um Serviço Municipal de Turismo, devidamente profissionalizado, aproveitando os recursos humanos existentes nos quadros do Município. Este gabinete deverá ser o motor de parcerias entre a Escola Superior de Turismo e Hotelaria – IPG e os comerciantes e Industriais de Hotelaria, sendo também o responsável pela defesa e promoção dos produtos locais, incentivando o seu consumo.
E como o Turismo está ligado à cultura e património não podemos deixar de salientar as potencialidades dos dois locais que consideramos de maior potencialidade no concelho: Sandomil e Sra. do Desterro. Em relação a Sandomil, numa primeira fase preconizamos a recuperação da margem e o desassoreamento do espelho de água livrando-o do lodo e da sujidade. Não podemos deixar de salientar a ligação à EN 231 através do Furtado. Mas primeiro que tudo faremos a recuperação do pavimento da estrada que liga a EN 17 a Sandomil. Parece que os executivos não têm tido qualquer tipo de consideração pelos habitantes daquela Freguesia.
No que diz respeito à Sra. do Desterro, afirmamos que não concordamos com o actual projecto de requalificação da Praia do Dr. Pedro; entendemos que esta praia seja devidamente limpa, anualmente, desassoreada e melhorado o seu acesso, mas mantida com as suas características actuais. Esta “praia” deve ter o mínimo de intervenção para não desvirtuar ou alterar de forma significativa o seu aspecto. Somos a favor da requalificação de toda a margem direita do rio e da recuperação das antigas instalações da HESE que se encontram num estado lastimável de degradação, aliás como praticamente tudo que se encontra sobre a responsabilidade da Câmara.
No nosso entender, e como temos defendido, deveria, ainda, promover-se o Turismo Religioso em parceria com a Confraria da Sra. do Desterro. Sem esquecer, também, o Museu Natural da Electricidade e as suas potencialidades.
Intervir activamente na recuperação do património Histórico e Urbanístico em todo o concelho.
Em relação ao aproveitamento da Serra da Estrela tem de se repensar as acessibilidades, garantindo condições a quem a queira visitar. Também queremos salientar, que um dos principais entraves ao desenvolvimento do Turismo, não só no concelho de Seia, bem como em toda a Serra da Estrela, é a Turistrela. Como foi possível concessionar por dezenas de anos o turismo da Serra da Estrela a uma empresa que nada faz para o promover e dinamizar globalmente? Consideramos, além de imoral, castrador ter sido tomada uma posição anticonstitucional e violadora de todas as regras, quer nacionais quer europeias. Mas até hoje não vimos, seja quem for, tomar partido sobre esta matéria. Mas tudo faremos para alterar esta situação em benefício da Serra da Estrela e acima de tudo do concelho de Seia. Julgamos que seria uma matéria para a CIM intervir.
Os Municípios, a Região de Turismo, o Parque Nacional, os serviços dos Ministérios, as Associações Empresariais, a Turistrela, entre outras entidades, exigiriam uma profunda articulação de esforços. Contudo, na maior parte das vezes ignoram a acção de outros agentes, não trocam informação, não partilham recursos, não coordenam a intervenção, pelo que a sua actuação é ineficaz, conduzindo ao desperdício e muita vezes agravando conflitualidades. Encontramo-nos perante um modelo errado, inoperante e caro para o erário público. Podemos afirmar que estamos preparados para liderar toda uma política capaz de implementar um Novo Rumo para a Serra da Estrela.


Seia perdeu a gestão das Aldeias de Montanha e perdeu igualmente influência na gestão do projecto sendo acusado de desinteresse e até inércia. Como vê a futura interacção da Autarquia e da ADIRAM?

Quando foi criada a Associação das Aldeias de Montanha (ADIRAM), acreditámos que este projecto contribuiria para a recuperação urbanística das Aldeias, tornando-as mais atrativas para quem lá vive e para quem as visita. Seria um motor de desenvolvimento sustentado que iria contribuir para o aumento do comércio local, através dos produtos aí fabricados e a criação de postos de trabalho, nomeadamente através do desenvolvimento turístico. Mas não. Ao que assistimos foi à divulgação de festividades que já se realizavam nessas Aldeias há muitos anos, promovidas, na sua maioria, por Associações Locais. E nunca se passou disso.
Quando é a Câmara a impulsionar um projecto dessa natureza e desiste dele, devemos, de facto, questionarmo-nos porquê. E de facto temos de chegar à conclusão que está na génese da sua pergunta: Desinteresse e falta de inércia. A estes dois factos devemos juntar-lhes a falta de ideias e alguém com capacidade sobre aquele projecto. Não esqueçamos que a ADIRAM deixou fazer sentido para o actual executivo quando o seu mentor abandonou a vereação no fim do último mandato.
Deixe-nos dizer que a ADIRAM possuía um quadro de pessoal, embora que pequeno, mas cujo papel era nulo.
A futura interacção entre a Autarquia e a ADIRAM, se ganharmos a Câmara, passará pelo recuperar a sua gestão e procuraremos fazer com que o seu desenvolvimento e a recuperação urbanística das Aldeias venha a ser uma realidade. A continuar a Autarquia com uma maioria PS ou PSD não vislumbramos qualquer possibilidade no aumento de influência do concelho neste Projecto.


Numa altura em que Seia regista os piores níveis de desemprego das localidades vizinhas da sua escala, como se propõe a alterar esse facto?

É óbvio que só com a criação de emprego. Com a criação de novos postos de trabalho, com direitos, e com a manutenção dos já existentes, assim como as famigeradas acessibilidades.
É necessário apoiar a instalação de indústrias de média dimensão, travar o desaparecimento das indústrias tradicionais e apoiar, também, as pequenas e médias empresas. Por exemplo, a aplicação da Derrama em 1,5% para todas as empresas é extremamente penalizadora para as pequenas e médias empresas do concelho. Já propusemos uma taxa reduzida para as empresas com um volume de negócios que, no ano anterior, não ultrapasse os €150.000. Além destas medidas consideramos que a disponibilização de terrenos e construção de infraestruturas, são outras medidas que temos de considerar como relevantes para o desenvolvimento do concelho.
Também a produção agrícola, a floresta e a pastorícia precisam ser apoiadas e incentivadas, como factores decisivos de ocupação do território.
Mas, tal como já dissemos, não é dentro dos gabinetes que se conseguem atrair empresas. Temos de ir à procura delas.


Todos os presidentes de Câmara querem atrair emprego e empresas. Como irá fazer diferente se for eleito?

Queremos dizer que não seguiremos o caminho que nos trouxe até aqui. E porquê? Porque se ao longo dos últimos mandatos tudo o que foi feito não produziu qualquer efeito, há que mudar de estratégia. Primeiro, é necessário uma atitude verdadeiramente interventiva e reivindicativa junto do poder central e de outras entidades exigindo políticas que valorizem as potencialidades e as riquezas do concelho. A captação de investimento, a apresentação de propostas atractivas, a divulgação do concelho de Seia, o incentivo à produção agrícola e a dinamização das zonas industriais. Sem esquecer, evidentemente, as acessibilidades. Tudo o que se tem passado ao longo destas décadas com a não construção dos ICs é, obviamente, das principais razões para a contínua falta de investimento no nosso concelho.


Quais são os eixos estratégicos de actuação para o mundo rural?

Para haver futuro nesta região e nomeadamente no concelho de Seia, precisamos de mais emprego, de mais produção e de mais investimento. O emprego só será criado com o aumento da produção. Para isso é fundamental apoiar também a agricultura tradicional, aproveitando os excelentes produtos regionais como o Queijo da Serra.
Mas deixe-nos dizer que Seia, só na União de Freguesias, tem dois Mercados, um em Seia e outro em São Romão. Locais privilegiados para o escoamento dos produtos agrícolas que alguns, embora poucos, agricultores continuam a produzir. Mas a que é que assistimos? O Mercado de São Romão continua sem funcionar e basta deslocarmo-nos aos Domingos de manhã para verificar o estado degradante em que se encontram os comerciantes/pequenos produtores que lá colocam os seus produtos. E nós questionamos se o investimento efectuado foi para transformar aquele espaço num verdadeiro Mercado ou se mais num recinto para festas. Porque é o que tem acontecido até hoje.
Em relação ao Mercado de Seia, que deveria funcionar bem todos os dias da semana, a que é que temos assistido? Começa a ficar transformado em mais uma pseudo Casa da Cultura, o que contraria o seu principal objectivo que era a venda de produtos produzidos no concelho. Mas para que tal aconteça é necessário reduzir as taxas de ocupação dos espaços, incomportáveis para a grande maioria dos vendedores. E face à concorrência dos grandes espaços comerciais esta será uma medida que iremos tomar.
Mas, já agora, não podemos deixar passar em claro a vergonha que continua a ser o espaço denominado Largo da Feira. Não obstante os valores que continuamente vêm inscritos anualmente no Orçamentos, continuamos a verificar um contínuo desinteresse para com aquele espaço, naquilo que consideramos uma total falta de respeito para os utilizadores. Seja para os feirantes ou para o público em geral. O estado do pavimento, a falta de água, a falta de energia, associados ao estado degradante dos sanitários, leva-nos facilmente a imaginar que estamos num qualquer país do terceiro mundo.


Acessibilidades e Saúde voltam a estar na ordem do dia, mas o que é certo é que tudo continua na mesma. Não é tempo de Seia “dar o murro na mesa” e exigir do Governo estradas em condições e melhores cuidados de saúde?

Estes são temas sempre relevantes, particularmente em período eleitoral, para alguns. Nunca é demais lembrar que tal como outras, a CDU tem sempre estas matérias na ordem do dia. Não é por ser ano de eleições. Nós não nos regemos por isso e no nosso calendário político estes temas estão sempre na ordem do dia.
Hoje é o IC6, amanhã o IC7 e mais tarde o IC37. Mas em que é que ficamos? Hoje entra um governo e faz uma promessa, amanhã vem outro governo e há outra promessa. E assim vamos andando de década em década. Esta situação não se resolve com murros na mesa. Resolve-se, sim, por encontrar um governo que cumpra as promessas que faz e que tenha o mínimo de respeito pela população do concelho de Seia. Mas, continuando a votar nos partidos do chamado “eixo governativo” é certo e sabido que iremos continuar na mesma.
Temos plena consciência que as acessibilidades são a principal infraestrutura para o desenvolvimento de uma região mas quando para uma simples reparação de uma estrada, como aconteceu entre a Vide e Teixeira, se deixam passar mais de dois anos sem nada fazer, estamos conversados. Tudo o que se tem passado ao longo destas décadas com a construção dos ICs é mais um aspecto demonstrativo da falta de inércia pelo qual esta autarquia se tem regido. E não só. Tal como temos afirmado é, também, a falta de estratégia dos governos PS e PSD, sozinhos ou com o CDS, para com todo o interior. Além dos IC’s também a abolição das portagens nas ex-scut e a mobilidade dentro do concelho são matérias que urgem ser resolvidas. O murro na mesa de que fala, deve ser traduzido nas urnas, dizendo a esses partidos que já chega.
Em relação à saúde a nossa opinião é a mesma. Com uma agravante: se em relação aos ICs estes não se fazem, em relação ao Hospital e aos Centros de Saúde o que tem acontecido é um esvaziar de serviços ao longo destes anos. Como sabe, temos estado sempre na linha da frente em relação a esta matéria: na perda de valências no Hospital e contra a extinção/deslocalização de Centros de Saúde, bem como no estado de degradação a que têm chegado os que existem. Ainda o mês passado lançámos um abaixo-assinado sobre o estado em que se encontra o serviço de atendimento do Centro de Saúde de São Romão, reivindicando mais médicos para este serviço. Contudo, temo-nos deparado com a seguinte situação: Quando o PS está no governo, o PS local desvaloriza e quando o PSD está no governo, o PSD local desvaloriza a situação. E assim vamos andando. Se os habitantes do concelho quiserem fazer um esforço de memória verão que tem sido esta a realidade. Além disso, acusam-nos de ser os profetas da desgraça e estarmos sempre do contra. Nada mais falso. A CDU, tal como o PCP, têm-se batido ao longo dos anos em resolver o estado a que chegou a saúde no concelho. Não só a nível local, mas também a nível nacional, temo-nos batido através de propostas e moções apresentadas nos órgãos de Poder Local como na Assembleia da República.
Para finalizar e aproveitando a oportunidade, cabe-me dizer que a CDU apresentou o seu orçamento para as eleições autárquicas de 2017, dando resposta a uma obrigação legal e tratando-se naturalmente de uma previsão quer de receitas quer de despesas, procurando dar resposta a todas eventuais necessidades que se coloquem no decorrer da campanha.
A CDU como é seu timbre procurará realizar uma campanha eleitoral onde se privilegie o contacto direto com as populações, a prestação de contas do trabalho realizado e a valorização das suas propostas para o desenvolvimento do concelho, contanto para este trabalho sobretudo com o empenhamento, entrega e militância dos seus apoiantes, muitos membros do PCP, do Partido Ecologista os Verdes e de muitos cidadãos sem filiação partidária que reconhecem na CDU o seu percurso de Trabalho, Honestidade e Competência. O Orçamento apresentado é naturalmente uma previsão, sendo que também a este nível a CDU pautará a sua atuação por uma criteriosa gestão dos meios disponíveis.


Ficheiros para Download

Entrevista de Margarida Abrantes em pdf .Ficheiro Acrobat Reader Entrevista de Margarida Abrantes em pdf

Siga-nos no twitter

Úteis

O Meu Jornal

Notícias Relacionadas

Subscreva as nossas noticias via RSS

Consulte os resultados desportivos

Produzido por ardina.com  
© Porta da Estrela - Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.
Email do Porta da Estrela: geral@portadaestrela.com.
  Topo