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Arquivo: Edição de 15-09-2017

SECÇÃO: Entrevista

Entrevista a Tenreiro Patrocínio, candidato Independente à Câmara de Seia
Para Patrocínio, «os gabinetes da autarquia serão meros pontos de passagem e não locais de estadia»
Para Patrocínio, «os gabinetes da autarquia serão meros pontos de passagem e não locais de estadia»
«O concelho de Seia e os seus habitantes, a nossa terra e a nossa gente têm que ser respeitados pelo poder central»

Prestes a terminar o mandato, que balanço faz destes quatro anos?

Permita-me que, antes de lhe responder à questão que formula, me deixe agradecer aos cerca de mil eleitores do nosso concelho que foram proponentes da nossa candidatura, bem como àquelas outras centenas que sabíamos estavam disponíveis para também o ser.
Como sabe a nossa candidatura “Juntos Pela Nossa Terra – JPNT”, é a única que vai a votos por vontade dos cidadãos da nossa terra. Aos nossos proponentes e a todos os mais que para isso estavam disponíveis quero antes de tudo deixar-lhes aqui um sincero bem hajam.
Quanto à questão, dir-lhe-ei, como aliás frisei na última reunião da vereação, que ter sido vereador da oposição nestes últimos quatro anos provoca sentimentos contraditórios. Por um lado, o orgulho e a satisfação de poder servir a nossa terra e os nossos cidadãos defendendo o que entendemos ser o melhor caminho para que haja desenvolvimento e bem estar. Por outro lado, a frustração e a tristeza de ver que a maioria, com a legitimidade que lhe adveio da vitória eleitoral, seguiu um caminho diferente daquele que lhe apontávamos, caminho esse que manteve ou até agravou a estagnação económica e impediu o desenvolvimento como aliás já vinha acontecendo no mandato anterior. Nestes 4 anos Seia, a nossa terra, o nosso concelho nada progrediu. Se comparado com 2013, atrevo-me a dizer que até regrediu, e se comparado com o desenvolvimento da generalidade dos concelhos vizinhos, eles em termos de desenvolvimento empresarial, desenvolvimento económico, criação de emprego, etc. ultrapassaram-nos duma forma clara. Por única responsabilidade da maioria socialista, o mandato que agora termina significou para a nossa terra mais quatro anos perdidos.


Como se propõe a alterar o facto de o concelho de Seia ser dos Municípios dos país que mais gente tem perdido?

A tarefa não é fácil, face à situação a que o concelho chegou e pela qual o único responsável é o poder instalado ao longo dos anos na nossa autarquia. Travar e inverter a tendência para o despovoamento da nossa terra é um imperativo que, todos juntos, vamos alcançar. E tal consegue-se com a criação de condições que permitam a fixação de pessoas. Pensamos que, por um lado, medidas de apoio ao empreendedorismo, nomeadamente ao empreendedorismo jovem aliadas a outras medidas e incentivos que levem ao crescimento das empresas já instaladas e atraiam novas empresas, serão determinantes para a criação de postos de trabalho e consequente fixação das pessoas. Incentivar das mais variadas formas a criação de emprego é fator determinante, assim como é fundamental apostar na juventude, criando condições objetivas para aqui se fixarem, quer construindo as suas próprias empresas quer tendo um amplo mercado de trabalho ao seu dispor. A título de exemplo digo-lhe que connosco as ex-instalações da MRG, hoje propriedade da Câmara Municipal, não serão vendidas nem à LIDL, como a atual maioria pretende, nem a ninguém. Connosco ainda em 2018 será iniciado o processo necessário à instalação nas mesmas de uma incubadora de empresas vocacionada para os jovens empresários que queiram iniciar uma atividade e ali queiram instalar o seu negócio. Tal espaço será devidamente infraestruturado de modo a permitir também a instalação das entidades locais representativas do mundo empresarial que ali se queiram instalar, criando-se igualmente um espaço permanente que permita a realização dos mais variados eventos de cariz empresarial.


A oposição vem criticando sistematicamente a gestão autárquica de ausência de estratégia, salientando que não se conhece nenhum eixo ou iniciativa de desenvolvimento. Quais são as suas propostas nestes domínios?

Os últimos 4 anos foram mesmo ausentes de estratégia e só a maioria do executivo camarário e alguns dos seus mais acérrimos apoiantes, parece não quererem ver nem aceitar. A forma de combater tal situação é obviamente ter um rumo, escolher o caminho a trilhar e trabalhar. Eu e aqueles que me acompanham sabemos o que queremos para a nossa terra, sabemos qual o rumo a seguir e temos qualidades de trabalho para o concretizar. Apostamos forte nos nossos cidadãos a quem reconhecemos qualidades de trabalho, inteligência e iniciativa, para serem o motor do desenvolvimento. Uma atitude proactiva com vista à instalação de empresas e crescimento das existentes, e falamos de empresas de todas as dimensões, com vista à criação de postos de trabalho, bem como ao aproveitamento dos nossos recursos naturais, estes sobretudo na área do turismo, será o trabalho quotidiano e principal do meu executivo. Para mim e para os vereadores que me acompanharão, os nossos gabinetes serão meros pontos de passagem e não locais de estadia. O trabalho burocrático, técnico e administrativo compete aos funcionários e colaboradores da autarquia que, diga-se, bem o sabem executar. Ao órgão executivo compete estudar os assuntos, analisar opções, decidir e trabalhar politicamente na sua concretização. A execução de políticas de incentivo ao desenvolvimento empresarial tem que ser uma realidade constante. Assim como tem que ser uma realidade permanente uma postura de firmeza e exigência junto do poder central em defesa da nossa terra e da nossa gente. O concelho de Seia e os seus habitantes, a nossa terra e a nossa gente têm que ser respeitados pelo poder central, o qual tem que proporcionar aquilo a que temos direito. Refiro-me concretamente às acessibilidades, às áreas da saúde, da educação e da justiça e à tomada de medidas de descriminação positiva para a nossa região, nos mais variados aspetos.


Como pretende recuperar a influência que Seia perdeu na região Centro?

Registo a forma como formula a questão, reconhecendo que, infelizmente, Seia tem, no contexto da região Centro, perdido protagonismo. Parece-me que neste campo não será difícil inverter a situação e tal consegue-se aproveitando a localização geográfica e a dimensão populacional que Seia ainda possui, tornando Seia a nova centralidade desta região. Depois há que, sem tibiezas nem receios, afirmar Seia junto dos diversos organismos e instituições.


Como vê Seia no contexto da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela?

Como sempre disse, estamos na CIM errada. Uma das nossas primeiras ações políticas será iniciar o procedimento necessário para deixar a CIM Beiras e Serra da Estrela, integrando uma das outras duas que desde logo devíamos ter integrado, a CIM Região de Coimbra ou a CIM Viseu Dão Lafões. Sei qual é a minha primeira opção, mas como compreenderá não é o momento de o revelar.


Qual é a sua estratégia para a crescente população envelhecida e para o aumento da vulnerabilidade por parte desta?

Nesse campo, as IPSS do nosso concelho têm desempenhado um trabalho notável. Estar presente no dia a dia dos nossos idosos, estar atento às suas necessidades e anseios prestando-lhes o devido apoio e apoiando igualmente de forma criteriosa e significativa as nossas IPSS, será obviamente o caminho natural a seguir nesta matéria.


Seia está a divergir daquele que é neste momento o principal motor da economia nacional, o Turismo. Como se propõe a alterar esse facto?

Diz e muito bem que “Seia está a divergir daquele que é neste momento o principal motor da economia nacional, o Turismo.” Isso é aquilo que todos nós vemos e sentimos. Perdão, a atual maioria que dirige a autarquia não vê nem sente isso. Como sabe, porque assiste às reuniões do executivo, muitas vezes este tema foi objeto de acaloradas discussões entre eu próprio, Albano Figueiredo e a maioria socialista. Para a maioria socialista está tudo bem e nada é preciso modificar. Reparou, por certo, na última reunião um dos vereadores da maioria dizer-me que o número de investidores na área do turismo aumentou imenso na nossa terra. Que tudo está bem e referindo mesmo, com alguma falta de gosto, que não é necessário trazer turistas “chineses” a Seia. Tal postura e visão das coisas demonstra bem o desfasamento da realidade e a incapacidade de ver o efetivo problema. Não estão em causa os investimentos que os nossos empresários com a sua iniciativa levam a efeito. O que está em causa, e a autarquia parece que ainda não viu, é a falta dos apoios que das mais variadas formas a autarquia devia dar ao setor e não dá. Depois ao contrário do que a maioria autárquica diz, é necessário trazer a Seia turistas, sejam eles nacionais ou estrangeiros. A autarquia tem que, nos locais próprios, promover e divulgar a marca Seia e Serra da Estrela como destino turístico de excelência e se necessário fomentar parecerias com os diversos operadores de modo a trazer turistas a Seia. Aqui há dias questionava eu, se já pensaram no significaria para a economia local se semanalmente 200 ou 300 turistas, desses largos milhares que diariamente demandam Lisboa e Porto, viessem passar um ou dois dias a Seia? Já pensaram no que isso significaria para a hotelaria, para a restauração e para o comércio local? Já pensaram no impulso económico e financeiro que seria dado à nossa terra? Com os recursos e belezas naturais que temos, com a hospitalidade da nossa gente não será difícil concretizar tal objetivo, e se nós o não fizermos, outros concelhos vizinhos o farão. Também nesta matéria é preciso ser proactivo e eficaz.


Seia perdeu a gestão das Aldeias de Montanha e perdeu igualmente influência na gestão do projecto, acusando-se a Câmara Municipal de desinteresse e até de inércia. Como vê a futura interacção da autarquia e da ADIRAM?

Seia perdeu a gestão do projeto Aldeias de Montanha e, infelizmente, perdeu nestes últimos quatro anos muitas mais coisas, na saúde, na educação, na justiça, no comércio e na indústria e, seguramente, se não houver mudança de rumo, de pessoas e atitudes muito mais irá continuar a perder para o futuro. No que respeita à ADIRAM, sinceramente não vejo nas relações e interação a manter com ela qualquer problema. Teremos com a ADIRAM e dela seguramente receberemos as relações e o tratamento correto e de apoio reciproco, como deve haver entre parceiros associativos.


Numa altura em que Seia regista os piores níveis de desemprego das localidades vizinhas da sua escala, como se propõe a alterar esse facto?

Criar condições e dar incentivos à criação de empresas e ao crescimento das existentes será a primeira prioridade. Uma atitude de pro-atividade constante no sentido de atrair novas empresas e novos empresários será fundamental. Para isso é necessário sair do conforto dos gabinetes e ir para o terreno, quer para junto dos nossos empresários, apoiando-os e incentivando-os, quer procurando fora do concelho outros que aqui se queiram instalar. Se reparar quase semanalmente são anunciados investimentos de milhões e a instalação de novas unidades empresariais nos concelhos vizinhos. Já se perguntou porque é que isso não acontece em Seia? Veja por exemplo Nelas e Oliveira do Hospital, veja a intensidade e frequência com que novas empresas ali se estão a instalar. Seguramente não é só por culpa das acessibilidades, porque as nossas em pouco diferem das daqueles concelhos. Não se pode estar à espera que os empresários e investidores nos procurem. É o executivo autárquico que no exercício da sua função política tem que estar no terreno na procura constante de empresários e empresas.


Todos os presidentes de Câmara querem atrair emprego e empresas. Como irá fazer diferente se for eleito?

Todos querem mas nem todos trabalham na concretização desse objetivo. Dito de outra forma, todos querem mas só alguns fazem por isso.


Qual os seus eixos estratégicos de actuação para o mundo rural?

Formula uma questão complicada de responder, porquanto se trata de matérias que têm mais a ver com o poder central do que com o local. Dir-lhe-ei, no entanto, o que penso sobre tal assunto e qual a intervenção que entendo que apesar de tudo pode e deve ser feita pela autarquia. Falo concretamente, entre outras, de medidas de incentivo à natalidade, de medidas que fomentem e incentivem a produção e comercialização de produtos agrícolas, bem como a opção política de maximizar as minorações permitidas em sede de IMI. Apostar forte nas acessibilidades internas, seja em estradas seja em caminhos rurais, será igualmente um objetivo. Ter um PDM que de forma racional, com rigor e respeito pela natureza, mas sem falsos fundamentalismos, facilite às pessoas a possibilidade de construção nos seus prédios, aliada a uma atitude pro-ativa no que respeita ao redimensionamento da floresta e ao aproveitamento dos recursos naturais que existem, serão igualmente temas sempre presentes.


Acessibilidades e Saúde voltam a estar na ordem do dia, mas o que é certo é que tudo continua na mesma. Não é tempo de Seia “dar o murro na mesa” e exigir do Governo estradas em condições e melhores cuidados de saúde?

Às acessibilidades e à saúde acrescentaria igualmente a educação e a justiça, setores onde temo que possam, a curto prazo, surgir problemas se não houver mudança na condução dos destinos da nossa terra. É mais que tempo de “dar um murro na mesa” e obrigar o poder central a respeitar a nossa terra e a nossa gente. Não posso aceitar que um ministro venha a Seia para falar de acessibilidades, não diga uma palavra sobre as mesmas e a autarquia não o questione sobre tal assunto. Não posso aceitar que venham à nossa terra ministros e secretários de Estado apenas para se mostrarem e permitirem a alguns ornamentos locais terem o palco porque sonham, sem nada de útil nos trazerem e sem que o poder local instalado os questione de forma séria e firme. Connosco o poder central vai respeitar Seia.
Juntos pela nossa terra conseguiremos dar outro rumo ao concelho de Seia, colocando-o no caminho do progresso e do desenvolvimento.


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