Porta da Estrela
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Arquivo: Edição de 15-09-2017

SECÇÃO: Entrevista

Entrevista a Filipe Camelo, candidato do PS à Câmara de Seia
Para Filipe Camelo, Seia «é um exemplo e continuará a ser em várias matérias»
Para Filipe Camelo, Seia «é um exemplo e continuará a ser em várias matérias»
«Seia tem hoje uma nova atratividade, fruto da estratégica que temos vindo a seguir e do esforço dos nossos empresários»

Prestes a terminar o mandato, que balanço faz destes 4 anos?

Nós nunca estamos satisfeitos porque, como sabemos, esta é sempre uma tarefa inacabada. Mas podemos considerar que o balanço é positivo, naturalmente atendendo às circunstâncias. Como espelham os orçamentos e as contas de gerência dos últimos anos, aprovados por largas maiorias, concretizámos os objetivos definidos para o mandato em curso.
Assistimos a uma mudança substancial no conteúdo da nossa ação, consolidando a política seguida nos últimos anos, de muito rigor e equilíbrio, conciliando a regressão do endividamento municipal com os investimentos que são necessários fazer, priorizando-os cirúrgica e rigorosamente.
Repare que ao mesmo tempo que diminuímos a dívida em 16,062 milhões de euros, entre 1 de janeiro de 2014 e o final do 1º semestre de 2017 (-48,1%), aumentámos as transferências para as juntas de freguesia, ampliámos os apoios nas áreas da saúde, educação e ação social e lançando novos incentivos para as empresas.
Não aumentámos as taxas e serviços prestados pelo Município e estamos fortemente empenhados em prosseguir com os ajustes do IMI em 2018, compatibilizando as possibilidades consignadas em OE com a capacitação gerada na realidade económica financeira e orçamental do Município, intensificando soluções de negociação com os bancos, baixando a dívida total para um intervalo abaixo de 2,25 da média das receitas correntes dos últimos três anos, gerando consequências francamente positivas na qualidade e bem-estar de todos os senenses.
Requalificámos dezenas de kms na rede de abastecimento de água, com índices de cobertura muito próximos dos 100%, melhorando a sua eficácia e eliminando perdas. Contudo, ainda subsistem graves problemas em algumas zonas do concelho, onde as infraestruturas são muito antigas e não estão dimensionadas para satisfazer as necessidades atuais.
No caso dos esgotos, 85% do concelho já dispõe de tratamento e está prestes a arrancar um novo pacote de investimentos (ETARS e emissários) que nos permitirá resolver este problema em definitivo.
Em ambos os casos conseguimos fazer aprovar um valor global de 3 milhões de euros no quadro comunitário, para que possamos começar a resolver os problemas que ainda subsistem.
Não fomos tão longe na rede viária municipal porque não há dinheiro para estradas nos fundos europeus, mas alocámos uma parte significativa do orçamento municipal para a manutenção da rede viária, tendo ainda assim conseguido concretizar algumas obras. Concluímos o primeiro troço da EM 522 (Seia-Gouveia), entre Seia e a Arrifana, está em curso o segundo troço (Arrifana-São Martinho) e o terceiro troço (S. Martinho-Sta. Marinha), concluindo-se o restante até ao Eirô no início do próximo mandato, uma obra que se consubstanciará num valor global (Seia-Eirô) a rondar os 1,1 milhões de euros.
Esta é, de resto, uma das obras que incluímos no pacote de compensações de um milhão e meio de euros, negociado com a Endesa pelo cancelamento da construção da Barragem de Girabolhos, que servirá para reabilitar grande parte da rede viária desta freguesia, onde as obras já estão a terminar, do qual consta, ainda, a estrada entre Torroselo e Sandomil, cujo protocolo aprovámos na última reunião com os votos favoráveis da maioria socialista, estando previsto o início dos trabalhos para o próximo mês de outubro.
O concelho está mais atrativo em vários domínios. Veja-se o trabalho notável que temos vindo a fazer no Turismo, onde os indicadores revelam mais receitas, estadias mais prolongadas e novos investimentos privados, de quem ninguém fala mas que têm vindo a acontecer e representam milhões de euros para a nossa economia local. No período do mandato agora em análise, e em jeito de exemplo, nasceram no nosso concelho 56 Alojamentos Locais (AL), mais três que se encontram em apreciação no Município.
É inquestionável que temos hoje uma nova atratividade, fruto da estratégica que temos vindo a seguir e do esforço dos nossos empresários, que contribuem decisivamente para uma oferta mais qualificada e diversificada. O esforço feito na área ambiental permitiu investirmos como nunca numa rede de praias fluviais, criámos uma rede de percursos pedestres com mais de 100 kms, lançámos novos eventos como o OH Meu Deus ou o Skyroad, que trazem a Seia milhares de pessoas que aqui comem, dormem, compram e mexem com a economia. Isso está comprovado. No desporto, continuamos a criar condições para a promoção da prática desportiva, mantendo e ampliando os apoios concedidos, com ótimos resultados alcançados e a multiplicação de participantes pelo movimento associativo desportivo, comprovando que a nossa política está correta e no bom caminho.
Na cultura, continuamos a ter uma dinâmica invejável e muito acima da média, diversificando a oferta para os diferentes públicos, sempre com a ambição de renovar e melhorar. Olhe-se para a Feira do Queijo e para o novo modelo que implementámos com grande êxito, o Dia da Criança, ao qual demos uma nova dimensão, assegurado, exclusivamente, pelo voluntarismo dos trabalhadores da Câmara, ou o CineEco, cuja longevidade diz muito sobre a nossa persistência e convicção, adaptado às novas realidades e preocupações ambientais.
Investimos como nunca na defesa da floresta, na prevenção, na limpeza, na abertura e manutenção da rede viária florestal (cerca de 350 Km construídos, desde agosto de 2011), pontos de água e no nosso sistema de proteção civil, que continuamos a assentar nos bombeiros, aos quais continuamos a prestar o imprescindível apoio.
A requalificação do aeródromo, tendo em vista a sua certificação, está a fazer o seu caminho. Após termos construído um novo e moderno edifício, onde funciona o Centro Municipal de Operações de Socorro, estão criadas condições para atrairmos novas e importantes valências nesta área, de acordo com o que temos vindo a negociar com o Governo, a saber uma BAL (Base de Apoio Logístico) e uma Escola de Formação de agentes de proteção civil.
Na reabilitação urbana, a valorização dos centros das nossas freguesias, a requalificação do Mercado de São Romão, do Mercado Municipal de Seia, do Parque da Vila em Loriga, dezenas e dezenas de arruamentos urbanos. As nossas terras estão mais atrativas, mais qualidade do espaço público, com melhorias nas acessibilidades, na requalificação e na inclusão social. Seria fastidioso enumerar tudo o que fizemos...na certeza do muito que ainda falta concretizar.


Como se propõe a alterar o facto de o concelho de Seia ser dos Municípios do país que mais gente tem perdido?

É importante que se diga que este não é um problema exclusivo de Seia, como se quer fazer crer. É um problema do País. Se Lisboa, Porto, Coimbra e outras cidades de maior dimensão perdem, e perdem muito, os concelhos do interior também perdem, com pequenas variações aqui e ali, em função das fragilidades e ferramentas que cada um tem à sua disposição.
No caso de Seia, se analisarmos a população residente entre 2009 e 2015, perdemos 1866 pessoas, das quais 1117 são óbitos, sendo que os restantes (749) se ausentaram por diversas ordens de razão. Uma delas, inquestionavelmente a principal, tem a ver com a questão do emprego e a busca de melhores níveis de vida.
É evidente, e nós não fugimos a essa realidade, de que o principal problema que o concelho de Seia tem se prende com o envelhecimento da sua população e o despovoamento do seu território. No entanto estamos conscientes deste problema, e conhecendo as potencialidades que o território de montanha nos oferece, que catalisando ações em termos de mais e melhor emprego é possível estancar e mitigar esta regressão demográfica bem como, e por outro lado, continuar a desenvolver uma rede social, que é exemplo de boas práticas na região e até mesmo no país, como foi evidenciado e reconhecido pelo senhor ministro Vieira da Silva aquando da sua última visita ao nosso concelho, capacitando-a, ainda mais, para responder às necessidades atuais e futuras desta comunidade serrana. É nisso que estamos a trabalhar e continuaremos a trabalhar.


A oposição vem criticando sistematicamente a gestão autárquica de ausência de estratégia, salientando que não se conhece nenhum eixo ou iniciativa de desenvolvimento. Como reage a estas críticas e quais são as suas propostas nestes domínios para o próximo mandato?

Se não tivéssemos estratégia não tínhamos mais de 20 milhões aprovados em candidaturas aos fundos europeus, conquistados na base de uma negociação realizada com as nossas tutelas. Estes são valores e desafios que não caem do céu, nem aparecem à nossa disposição por razão de passes de mágica. São por razão do nosso esforço e trabalho bem como dos nossos colaboradores e de uma estratégia pensada de acordo com as necessidades do concelho e das suas gentes.
A nossa estratégia está perfeitamente alinhada com os objetivos do quadro comunitário de apoio e ajustada à nossa realidade: Qualificação Ambiental, Regeneração Urbana, Mobilidade e Inclusão Social, através de projetos que beneficiam a economia e o emprego.
Quem diz isso só critica por criticar, não tem nenhuma ideia ou projeto para o concelho e tudo promete porque pretende nada fazer. Quem só sabe cultivar a descrença e o pessimismo sobre o concelho não tem condições para o governar, porque o futuro constrói-se com confiança.
Apesar dos atrasos na negociação dos Fundos estruturais e da sua disponibilização em programas nacionais, aos quais somos alheios, o Município, quer pela recuperação económica financeira, quer pela sua estratégia de negociação e de priorização de necessidades, garantiu um relevante envelope financeiro que sustentará os investimentos municipais nos próximos anos. Vamos regressar a níveis de investimento público de 2005, com uma grande diferença: temos dinheiro para os executar e não precisaremos de recorrer ao crédito.
Estamos em condições de concretizar investimentos absolutamente fundamentais, com particular destaque para a cidade, que deve alavancar o desenvolvimento de todo o concelho.
Falemos então de estratégia. No topo a economia e a criação de mais e melhor emprego. A regeneração urbana é fundamental para revitalizarmos as atividades económicas dos nossos principais centros urbanos, tornando a economia mais competitiva. O momento é de um novo ciclo de desenvolvimento urbano, menos assente na expansão urbana e mais centrado em processos de crescimento inteligente, sustentável e inclusivo.
Em consciência, e na base do desenvolvimento de uma estratégia para o ordenamento do seu território procedemos à revisão do PDM do concelho de Seia (documento que urgia nesta ação não só pelos 18 anos que tinha de maturação mas também pelos problemas sentidos pela comunidade concelhia), entendido como um dos primeiros instrumentos de planeamento a incorporar (no caso antecipando as soluções legais) um claro incentivo à reabilitação urbana, adotando claramente a medida estrutural necessária: a contenção da nova expansão urbana, assentando claramente numa estratégia de promoção da reabilitação urbana. A mesma preocupação foi tida na revisão dos planos de pormenor da zona industrial I e da Área Industrial da Abrunheira, possibilitando ultrapassar problemas a empresários da área comercial e/ou industrial, bem como torná-las mais competitivas e concorrências com as dos territórios limítrofes.
Vamos dotar a cidade e o concelho de novos e requalificados espaços públicos, que se constituam como referências regionais e acompanhem a qualidade de vida e bem-estar que o concelho já proporciona aos seus residentes e visitantes.
Especial destaque para as intervenções previstas no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano, através do qual vamos proceder à transformação dos espaços da Feira, do Parque Municipal e da Av. 1º Maio, devolvendo estes espaços à fruição dos residentes, visitantes e comerciantes como uma referência regional, assumindo Seia como a verdadeira Porta da Estrela.
Estamos perante uma verdadeira revolução, que mudará a face dos principais pólos de atividade económica.
A requalificação urbanística das Avenidas 1º Maio, Evaristo Nogueira, Bombeiros Voluntários e Largo da Esquadra 13, em São Romão, bem como a requalificação de arruamentos e de espaços públicos nas diversas localidades em parceria com as Freguesias.
A criação de um parque de lazer e bem-estar nos terrenos do Estádio Municipal, de forma a complementar a atividade desportiva já aí desenvolvida e aos novos espaços a criar na cidade. A melhoria dos espaços verdes de proximidade na cidade e restantes localidades, através da criação de um programa de Bosques Urbanos, Programa Cidade/Vila ou Aldeia Florida e a instalação de mobiliário urbano, em parceria com as freguesias, instituições locais e moradores.
Novos investimentos também ao nível da mobilidade, assegurando as intervenções no espaço público a Acessibilidades Universais. São outras das propostas a executar.
Vamos também ampliar e melhorar os incentivos, desburocratizando e agilizando os procedimentos, até aproveitando as oportunidades geradas pela aprovação do chamado Instrumento Financeiro, para os privados.


Como pretende recuperar a influência que Seia perdeu na região Centro?

Não há que recuperar o que não se perdeu. Essa pergunta evidencia uma visão bairrista e obsoleta que não é mais compatível com a lógica da intermunicipalidade que está subjacente às estratégias em curso.
O nosso planeamento estratégico, à semelhança dos demais Municípios, está muito alinhado pelas regiões macro em que Seia se insere – a CCDR Centro e a Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIMBSE). Não há outro caminho, pois as regras estão fixadas e tudo hoje decorre dentro dessa lógica supramunicipal. E a verdade é que estamos em toda e na primeira linha, pois como sabe muitas dessas estratégias são comuns e adaptadas a cada um dos territórios.
Lideramos vários projetos no quadro da CIMBSE, nas Bibliotecas Escolares, na modernização administrativa, os restantes Municípios abraçaram o nosso Festival de Cinema CineEco, criámos a ADIRAM e juntámos a elas mais de 40 parceiros, públicos e privados, de vários concelhos.
Trouxemos a Seia o Secretário de Estado da Saúde e garantimos a requalificação do Centro de Saúde de Seia, estamos a trabalhar com o Ministério da Saúde no regresso de algumas especialidades ao Hospital, desbloqueámos junto do Governo vários pedidos de instituições sociais do concelho. Vamos ter novas valências no quadro da proteção civil, numa ação de parceria com o governo, universidades/Institutos Politécnicos e Privados.
O compromisso do Ministério da Administração Interna para a reconversão do Quartel da GNR de Seia, que permitirá melhorar a segurança através do reforço de efetivos, numa ação em que nos integraremos, que mais não seja em termos financeiros para, em definitivo, e sem mais desculpas, sairmos do impasse em que nos encontramos.
Nas acessibilidades continuamos a liderar em matéria de exigência. Como sabe não sou de "sound bytes" e de falar para não estar calado. Se existe hoje uma proposta para a priorização da execução dos Itinerários Complementares ela advém de Seia, que tem mantido o assunto na ordem do dia, em parceria com os restantes Municípios.
Seia é um exemplo, e continuará a ser, em várias matérias. Somos o único Município da região e de 26 a nível do país, continente e ilhas, que integra um ambicioso plano de estratégias de adaptação e mitigação às alterações climáticas. Até aqui temos uma estratégia, que nem aqueles que hoje nos criticam pela propalada sua ausência souberam ou quiseram dar contributos ou, pelo menos, como se exigiria em questões delicadas como esta, apoiá-la, sufragando-a favoravelmente.
Estamos a liderar um grupo de trabalho intermunicipal para a criação de um novo modelo de gestão da água e saneamento para, através de ganhos de eficiência (hídrica) poder continuar a investir sem sobrecarregar as tarifas do consumidor. Não sei a que influência se refere.... Não é seguramente uma influência (só) de corredor… Só falo de coisas práticas, visíveis e percecionáveis.


Como vê Seia no Contexto da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela?

Estamos a trabalhar e com resultados muito positivos em vários domínios. Continuo a defender que Seia não podia ter ficado de fora, pois é indissociável da Serra da Estrela. Foi a melhor solução, atendendo aos diferentes cenários com os quais fomos confrontados. Todos temos de continuar a aperfeiçoar. Contudo, acho que a entidade não deve estar circunscrita à gestão de fundos comunitários, deve ter a capacidade de discutir mais, e de forma estratégica, o que se pretende para o futuro.
Procurar envolver mais os privados, ainda abstraídos desta nova realidade. As empresas, que são quem criam emprego, não podem continuar alheadas.


Qual é a sua estratégia para a crescente população envelhecida e para o aumento da vulnerabilidade por parte desta?

Conciliando os substanciais apoios e políticas sociais de que já dispomos e que pretendemos continuar a ampliar com a iniciativa da sociedade civil e das instituições, numa lógica de grande complementaridade estabelecida entre os diversos atores sociais.
Tem sido isso que nos tem permitido resolver muitos problemas e criar mais-valias, reconhecidas nas dinâmicas de parceria e na rede de equipamentos existentes, o que transporta uma nova forma importante de criação de riqueza e de emprego, no concelho e na região, em torno deste setor da economia social. Para uma Câmara que pôs na primeira linha das suas prioridades servir as pessoas, este é o melhor ativo que podemos ter.
Vamos continuar a manter-nos fieis à nossa matriz social, num ano onde lançámos novas políticas que vão ao encontro da resolução dos principais problemas da nossa comunidade, muito centradas no acesso aos cuidados de saúde, despovoamento do território, diminuição dos jovens, quebra de natalidade, cuidar dos idosos isolados, melhorar as condições habitacionais, combater a pobreza extrema e a exclusão, o desemprego de longa duração e a atração de investimento.
A crescente diversificação dos problemas sociais, bem como a sua complexidade, coloca novos desafios a todos nós, que exigem que as instituições públicas e privadas se concertem em torno das respostas sociais mais adequadas.
Conhecemos com clareza, através do Plano de Desenvolvimento Social, a realidade social do concelho e isso tem-nos permitido desenvolver um planeamento estratégico que dê garantias de maior eficiência e eficácia nas intervenções. Para tal é absolutamente fundamental manter o desempenho notável que o concelho continua a ter nesta área, do ponto de vista da Rede Social, da rede de equipamentos e da atividade de solidariedade. É essencial mantermos esta dinâmica que se deve muito à iniciativa da sociedade civil, das instituições e dos equipamentos sociais, a quem a Câmara Municipal tem prestado uma colaboração muito intensa, numa lógica de cooperação com todos os atores.
Tenho a certeza que continuaremos a estar capacitados para dar continuidade ao trabalho de parceria que tem vindo a ser desenvolvido, e que tantos resultados têm produzido a favor dos grupos mais vulneráveis e desfavorecidos.
A isso juntaremos os nossos recursos. O reforço do Programa de Comparticipação em Despesas com Medicamentos, a promoção de hábitos de vida saudável, a Teleassistência, novos programas de apoio e de combate ao isolamento, a promoção do Envelhecimento Ativo, o Banco de Voluntariado, a Oficina Domiciliária para pequenas reparações, uma melhor articulação das respostas sociais de emergência e o alargamento dos apoios às famílias em situação de carência ou exclusão, designadamente, na área da saúde, com medicamentos, consultas, na melhoria das condições de habitabilidade e na execução de obras de adaptação nas habitações de pessoas com mobilidade reduzida, através do regulamento de apoio a estratos sociais desfavorecidos.
Igualmente importante é a questão da mobilidade dos idosos, bem como o acesso a atividades culturais e desportivas através do Cartão Municipal Sénior, melhorando a sua abrangência.


Seia está a divergir daquele que é neste momento o principal motor da economia nacional, o Turismo. Como se propõe a alterar esse facto?

Não sei onde se inspira para formar opinião sobre o assunto, porque a realidade não é essa, aconselhando-o mesmo a consultar os dados públicos do Turismo de Portugal e do Instituto Nacional de Estatística, que não são em nada compagináveis com a sua afirmação. As receitas em turismo aumentaram, o número de estadias e o seu período cresceram, a oferta de alojamento é mais ampla e diversificada, temos mais camas disponíveis e dezenas de novas unidades licenciadas nos últimos anos. Nos últimos quatro anos assistimos ao aumento da capacidade de alojamento, seja através de novos alojamentos locais (+158%, vide estatística acima mencionadas) e de novos (+11) empreendimentos turísticos (+45,8% - num universo de 35 unidades), capacitando o território com uma cubicagem de alojamento em cerca de 750 pessoas. Este é um reconhecimento do esforço do Município mas, na essência, ilustra aquilo que tem sido o acreditar dos privados naquilo que é a capacitação do concelho e do território para o retorno dos seus investimentos numa capacitação alargada às 4 estações. O volume de investimento privado no setor também cresceu, com novas iniciativas empresariais que somadas ultrapassam os 15 milhões de euros.
Criámos e estruturámos novos produtos turísticos que atraem anualmente milhares de pessoas ao concelho. Frisar a rede de percursos pedestres, com mais de 100 kms, ou a rede de praias fluviais (Loriga, Lapa dos Dinheiros, Vila Cova e Sandomil), onde continuaremos a investir fortemente (Dr. Pedro/Sra. Do Desterro e Sabugueiro, com requalificações em curso), que muito contribuem para combater a sazonalidade e tornar o concelho mais apetecível em qualquer altura do ano.
Estamos a ser cada vez mais reconhecidos, como um destino de eleição no âmbito do turismo de natureza, ambiente, saúde, desporto e bem-estar.
Vamos continuar com uma estratégia em torno da atração do turismo ativo, a investir nos nossos equipamentos, desenvolvendo ações que nos qualificam e nos tornam mais atrativos, investindo na nossa excelente rede de equipamentos culturais e a ter uma política de eventos muito incisiva, que traga retorno à economia e ao comércio local.
A prova de trail OH Meu Deus, que realizamos em Seia, muito criticada por não ser um espetáculo desportivo muito atrativo, teve, em 2016, um retorno calculado de 600 mil euros para a economia local, nos setores do comércio, hotelaria e restauração, de acordo com um estudo realizado pela Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia.
Com planeamento e sentido de oportunidade, continuaremos a apostar forte na divulgação e promoção das nossas potencialidades turísticas e a lançar novas formas de colaboração e cooperação com os industriais do sector, atuando ainda mais nas áreas de animação tão importantes para atrair e fixar turistas.
A Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia é um importante parceiro que temos de continuar a valorizar e ampliar a sua ação, na medida em que se trata de um capital de conhecimento que não podemos desperdiçar.
Falar, também, da importância da Rede de Aldeias de Montanha, um projeto que não se circunscreve à questão turística, mas que pretende criar investimento e adequar o que já existe. Também aqui há novos produtos turísticos que qualificam a nossa oferta: a Caminhada do Lampião em Alvoco, as Caçoilas do Sabugueiro, a Festa da Transumância ou o Festival do Bosque.


Seia perdeu a gestão das Aldeias de Montanha e perdeu igualmente influência na gestão do projeto sendo acusado de desinteresse e até inércia. Como vê a futura interação da autarquia e da ADIRAM?

Seia não perdeu coisa nenhuma e quem tem essa leitura lida muito mal com a democracia ou tem um conhecimento muito anquilosado da realidade, apenas porque deixámos de estar, por opção diga-se de passagem, à frente da associação na direção, estando contudo na assembleia-geral.
Impulsionada e promovida pela Câmara Municipal de Seia, em parceria com um conjunto de agentes privados, a ADIRAM gere, hoje, a marca Aldeias de Montanha, dando seguimento à estratégia de desenvolvimento iniciada por esta autarquia. Esta estrutura é o resultado da liderança e do pioneirismo de Seia, que permitiu congregar para o projeto entidades públicas e privadas de nove concelhos, em representação de cerca de 40 aldeias.
Uma ironia. Afinal parece que não somos assim tão maus...
A ADIRAM não é uma quinta de Seia ou algo que possa ser gerido em função do interesse de um único ator, pois isso desvirtuaria o seu principal objetivo. A rotatividade e a partilha de responsabilidade tem de existir. É uma situação natural na vida democrática das instituições e não significa o afastamento de Seia do projeto, pelo contrário. Continuamos a acompanhar, dentro e fora da ADIRAM, e a apostar nele fortemente, até porque Seia é o concelho que mais aldeias tem na rede, continua a integrar os órgãos sociais, a ADIRAM mantém em Seia a sua sede (deslocalizando-se da ex-Livraria Municipal para o CISE) e a sua equipa técnica é composta, na íntegra, por recursos locais, um dos quais a técnica Célia Gonçalves, quadro do Município que continuará a assegurar a respetiva coordenação do projeto.
Estou plenamente convencido que a ADIRAM continuará a ser uma marca agregadora do potencial turístico da Região da Serra da Estrela e a ter um importante papel de valorização e promoção do território, amplamente reconhecido pelas autoridades gestoras dos fundos estruturais e que terá ao seu dispor um envelope financeiro para implementação dos seus projetos.
A capacitação do Município de Seia quer na idealização do projeto quer na implementação bem como no seu desenvolvimento foi por todos reconhecida e adjetividade na tomada de posse dos novos órgãos sociais, substanciada nas intervenções do atual presidente da direção e agentes privados da associação e na qual o senhor jornalista teve ocasião de participar e testemunhar…


Numa altura em que Seia regista os piores níveis de desemprego das localidades vizinhas da sua escala, como se propõe a alterar esse facto?

Temos consciência que nem tudo vai bem, que continuamos a ter problemas, sendo o principal a questão do emprego e da atração de investimento. Isso não se muda de um dia para o outro. Veja-se que nunca existiram tantos incentivos para o investimento como agora: cedência de terrenos, isenções de taxas, financiamento, apoio à contratação. O que falta? Faltam as acessibilidades, que são decisivas para darmos o salto e nos tornarmos mais atrativos, certo que a conjuntura só agora vai dando sinais que restauram a confiança dos investidores. Até lá, não conheço outro caminho que não seja o de continuarmos a qualificar o concelho em várias áreas.
A economia e o emprego continuarão a estar no topo das nossas prioridades. A Câmara Municipal não cria emprego – quem cria emprego são as empresas –, competindo-lhe criar condições para que o investimento privado aconteça e as empresas se instalem.
Para além dos incentivos municipais que têm vindo a ser ampliados (isenções de taxas, cedências de terrenos a custo simbólico ou os apoios concedidos em função dos postos de trabalho criados, entre outros), só nos resta um caminho: continuar a qualificar e a tornar o concelho mais atrativo.
Investir nas pessoas, no conhecimento, na formação, além de estreitar, ainda mais, a sua relação com as instituições de ensino, com particular destaque para a Escola Superior de Turismo e Hotelaria, da qual devemos tirar maior partido. Colocar os nossos empresários a falar com os investigadores, porque a cooperação intensa é fundamental para fortalecer o tecido económico. Isso já acontece mas é necessário estreitar ainda mais essa relação e cultivá-la.
Combater o desemprego deve ser sempre uma prioridade de quem governa. Mas combater o desemprego deve ser feito com seriedade, sem foguetórios e sem populismos. Não nos iremos alhear desse combate. Temos uma matriz histórica e empreendedora.
Das empresas dos setores mais tradicionais, felizmente das mais resilientes e competitivas, às dos setores emergentes, entendo que Seia precisa de um reforço de especialização económica, baseado no conhecimento e na criatividade, capaz de aproveitar mais e melhor a excelência da investigação e inovação, adicionando mais conhecimento e cultura na cadeia de valor dos bens que produzimos.
A criação e animação de plataformas colaborativas, entre agentes diversificados, é essencial para criar empresas, emprego e promover o desenvolvimento económico. Em especial, com os investidores de Seia ou de qualquer parte do Mundo, com os nossos jovens, que tenham projetos transformáveis em valor económico para criação das suas próprias empresas. Há exemplos recentes que nos dizem que isso está a acontecer.
Não há crescimento e desenvolvimento sem economia e esta só funciona com uma sociedade competitiva e cooperante, dos cidadãos aos empresários, trabalhadores, instituições de ensino, associações, Juntas de Freguesia e a Câmara Municipal, partilhando recursos e conhecimento entre si.
Mobilizar parcerias sólidas e criar um ambiente favorável ao incentivo do empreendedorismo são, nos dias que correm, fatores determinantes.
Vamos expandir e reestruturar o programa Seia Empreende e Inova, alargando o seu âmbito de atuação e complementando os apoios existentes, procurar alocar algumas atividades económicas nos centros históricos, por via da reabilitação urbana e proceder à revisão dos regulamentos de cedências de lotes nas áreas de localização industrial.
Criação da figura de “Contratos de Investimento” com critérios baseados no investimento a realizar em euros, número de postos de trabalhos líquidos a criar, prazo de execução dos projetos, valorização de atividades económicas consideradas prioritárias (Industria – Bens transacionáveis, por ex).
Poderemos também ter condições para proceder às isenções mais significativas e no âmbito da atuação do Município, na cedência de terrenos/instalações e apoio à contratação ou formação especializada.
Estaremos em condições de, a muito curto prazo, firmar o acordo de parceria com o Ministério do Trabalho, para a criação de uma incubadora de empresas, no antigo ninho de empresas de Seia, dinamizada pela Câmara Municipal.


Quais os seus eixos estratégicos de atuação para o mundo rural?

Temos de redobrar a aposta no setor agroalimentar. Queremos potenciar as indústrias agroalimentares no concelho através da criação da Identificação Geográfica Protegida (IGP) “SEIA”, a começar pelos lacticínios, seguindo pelos produtos de fumeiros e charcutaria e panificação. Importa defender o nome SEIA e assim “desviar” investimento de concelhos limítrofes que abusivamente usam a designação.
Parece-nos fazer sentido a criação de um programa de aumento da produção de leite de ovinos e caprinos no concelho com os objetivos de satisfazer a procura da indústria, através de um plano de relançamento da ovinocultura.
Não devemos ter nenhum complexo com a nossa ruralidade. Porque ela constitui uma oportunidade, há que dignificar a atividade e o emprego rural. Como? Incentivando a transferência de tecnologia e conhecimento de novas formas de condução da produção animal com vista à produção leiteira. Incentivar o surgimento de empresas de média dimensão na produção de leite. Coordenar com as indústrias, entidades públicas e financeiras a viabilidade de um fundo de investimento para apoio a novos projetos e empresas que visem o aumento da produção de matéria-prima na região. Apoiar a criação de uma Organização de Produtores de Leite de Ovelha e de Cabra no concelho, de forma a equilibrar as relações entre a indústria e os produtores. Manter os apoios a pequenos produtores de leite com unidades de transformação, no âmbito ambiental e de acompanhamento técnico-sanitário. Incentivar as unidades de transformação artesanal a obter certificação do seu produto como queijo Serra da Estrela, através de apoio técnico e financeiro do Município.
Valorizar também a produção e o consumo local, além dos mercados habituais, através de um mercado grossista entre produtores agrícolas do concelho e grandes consumidores (escolas, IPSS e restauração). O desenvolvimento de programas de investigação e desenvolvimento na melhoria das condições produtivas do leite e dos seus derivados, assim como no desenvolvimento de novos produtos e na resolução de problemas de comercialização, no âmbito da criação de um Centro de Investigação do Queijo.
Teremos condições também para lançar as bases para uma incubadora de base rural e a criação de uma bolsa de terrenos para esta tipologia de projetos.
Nas florestas, para além do trabalho e de um investimento sem paralelo, vamos acompanhar e estar na linha da frente da implementação da Reforma das Florestas, em particular no que diz respeito aos instrumentos de gestão do território e dinamização económica da floresta. Criaremos novas equipas de sapadores florestais no concelho (uma, pelo menos) e devolveremos as Casas dos Guardas Florestais à sua função original.


Acessibilidades e Saúde voltam a estar na ordem do dia, mas o que é certo é que tudo continua na mesma. Não é tempo de Seia "dar o murro na mesa" e exigir do Governo estradas em condições e melhores cuidados de saúde?

Já não temos mão de tantos murros dar. Mas se há algo que nos distingue é o nosso nível de exigência que se manteve sempre no máximo, fosse o Governo qual fosse, ao contrário de outros que estiveram calados e que agora parecem ter despertado de um sono e letargia profunda e continuada.
Sobre estas matérias sou muito claro e coerente.
Ao Governo continuamos a fixar dois grandes objetivos. Em primeiro lugar as acessibilidades. O Governo tem de, em definitivo, assumir o compromisso de executar a rede rodoviária da Serra da Estrela e cumprir o que está inscrito no Plano Rodoviário Nacional. Os projetos estão feitos, os traçados definidos, há milhões de euros gastos em estudos, há inclusive um acordo entre os autarcas sobre a sua priorização (gradual e faseada) atendendo à falta de recursos do Orçamento de Estado, pelo que é chegado o momento do Governo tomar decisões e dar um sinal efetivo de que olha de forma diferente para esta região.
Sem essas estradas, que como todos sabem não são autoestradas, são os itinerários complementares 6, 7 e 37, tudo se torna mais difícil para melhorar a nossa atratividade, captar mais investimento e melhorar a competitividade do tecido económico instalado.
Depois a Saúde. Depois de termos obtido do Governo a garantia da requalificação do Centro de Saúde de Seia, no próximo ano, estamos a concentrar as nossas energias no Hospital. Sabemos hoje, oito anos volvidos sobre a inclusão do nosso Hospital na ULS/Guarda, que não se cumpriram as expectativas elevadas que existiam relativamente à capacidade que a nossa unidade hospitalar pública teria para gerar importantes mais-valias na região. É fácil verificar que tais expectativas não tiveram tradução prática. Antes tínhamos um Hospital de referência a funcionar num edifício velho. Hoje tem um Hospital com um edifício novo e funcional, mas que vem perdendo serviços, especialidades e importância.
Nos últimos anos muito ouvimos falar em ganhos de escala e eficácia, mas se olharmos para a questão assistencial, seguramente a mais importante para a maioria dos nossos concidadãos, rapidamente chegamos à conclusão que mudámos para pior.
O nosso Hospital está nitidamente subaproveitado e evidencia uma clara e importante perda de serviços e valências face à situação de pré-fusão na ULS, com todas as consequências que, naturalmente, daí advêm. É por isso que nos iremos bater, com determinação, para que o Governo encontre um novo figurino ou qualquer outro cenário alternativo, do ponto de vista da gestão, que pode passar pela autonomia do Hospital de Seia, a criação de novas entidades ou até a dissolução e saída do Hospital de Seia desta ULS, porque, definitivamente, esta ULS não nos serve.
Urge repensar o modelo atual, mais que não seja no que toca à missão que deve ser acometida ao hospital público de Seia, em face da especificidade da região onde opera, exposto a um turismo sazonal muito relevante, distante dos hospitais mais centrais e dificuldade na captação de profissionais, entre outros.


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