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SECÇÃO: Opinião

Património senense: as ruínas do Solar dos Botelhos

As ruínas do Solar dos Botelhos. Para quando a reconstrução?
As ruínas do Solar dos Botelhos. Para quando a reconstrução?
A Capela do Senhor do Calvário e a Igreja da Misericórdia, incluindo a Casa do Despacho, são já Monumentos de Interesse Público. Aplaude-se a decisão e também a iniciativa de propor essa classificação, pugnando pela valorização do Património senense. Um domínio em que a Misericórdia de Seia muito tem feito e será fundamental que continue a fazer. É conhecida a sua inestimável obra social através dos séculos, desde a data da fundação, 1571, mas particularmente no último século, devido aos novos e complexos desafios que caraterizam o nosso tempo e deram novos sentidos à expressão “Obras da Misericórdia”. Na história recente da Misericórdia de Seia, avulta a criação de um espaço museológico na Casa do Despacho e agora a valorização patrimonial de dois imóveis históricos de inegável interesse cultural, propriedade dessa instituição. Um processo longo, iniciado em 2005 [1], mesmo considerando eventuais atrasos na classificação devido à atribulada fusão de Institutos que deu origem ao atual IGESPAR no final de 2006.
Esta nova classificação não é apenas mais uma (duas, melhor dizendo). Trata-se, na prática, do reconhecimento institucional do centro histórico de Seia, no qual se destaca a Capela de São Pedro, Monumento Nacional desde 1924 [2] e o Solar dos Botelhos, homologado como Imóvel de Interesse Público em 2003 [3] e em vias de melhor classificação. Poucas terras podem gabar-se de ter 4 monumentos classificados numa área tão reduzida, uma vantagem que permite, desde logo, conceber planos conjuntos de funcionamento e animação, desde visitas guiadas a reconstituições históricas. E tudo isto estaria muito bem se o Solar dos Botelhos não estivesse no estado em que está, parcialmente demolido e aguardando obras há largos anos.
O solar deve o nome a um dos seus proprietários no século XVI, André Botelho de Alarcão, capitão-mor de Seia, mas também era conhecido como “casa do terreiro”, por dominar o então Terreiro de São Pedro, parte do atual Largo da Misericórdia, onde se realizava o mercado semanal [4]. É um dos monumentos mais antigos de Seia, construído no final do século XV, e uma das poucas “casas urbanas tardo-medievais” [5] que chegou até nós, combinando o austero gosto gótico com a delicadeza decorativa do manuelino. A estrutura da casa manteve-se praticamente intacta ao longo dos séculos, um dado justamente valorizado pelos técnicos do então IPPAR. Em data incerta, foram acrescentados ao corpo principal dois pequenos volumes, a nascente e a poente. O volume a nascente foi parcialmente demolido há cerca de 5 anos e o extremo do solar encontra-se entaipado desde então. Com o tempo, o tapume também começou a degradar-se, expondo a gravidade da situação. A ruína do Solar dos Botelhos representa um grave atentado ao Património, causando péssima impressão a quem passa ou nos visita frequentemente e não vê a situação corrigida nem sequer um arremedo de obra começada.
Existem em Portugal cerca de 2.100 Monumentos de Interesse Público (MIP), designação que abrange a antiga classificação de Imóvel de Interesse Público (IIP). A classificação do monumento impõe novas regras de utilização pública do espaço, visando a sua conservação e integração no roteiro nacional do turismo cultural.

Notas:
[1] – Os editais de abertura da instrução dos processos foram publicados no PE nº 744, de 30/10/2005.
[2] – Classificada em 1924 (ID: 70668). O outro Monumento Nacional do concelho é a Anta de Paranhos (Vale de Igreja, Carvalhal da Louça), classificada em 1910 (ID: 71115).
[3] – Despacho de homologação de 29/05/2003 do Ministro da Cultura.
[4] – O atual Largo da Misericórdia e a atual Praça da República resultaram do arranjo urbanístico do centro de Seia após o devastador incêndio de 27 de outubro de 1916. O mercado semanal de Seia é, segundo J. Quelhas Bigotte, “possivelmente dos mais antigos instituídos em Portugal” e passou a realizar-se à 4ª feira em 1857, por edital de 14 de agosto.
[5] – Segundo os técnicos do IPPAR (IGESPAR).

Sérgio Reis

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