Porta da Estrela
Edição de 31-05-2017
Secções

Pesquisa

Utilidades
Subscrever RSS Subscrever RSS
Arquivo
Inquéritos
Última Hora
Pesquisa Avançada
Futebol
Farmácias
Tempo
Registo
Estatuto Editorial
Ficha Técnica
Assinaturas
Links

Registo

Arquivo: Edição de 15-04-2011

SECÇÃO: Local

Dorita Castel-Branco, autora da estátua de Afonso Costa em Seia

“Moça frágil, desmedido escultor” (Jorge Amado)
Estátua foi inaugurada em 1981
Estátua foi inaugurada em 1981

A dois passos do final das comemorações do Centenário da República, que encerram a 19 de Agosto (1), esgotadas as mais que oportunas evocações da figura e personalidade de Afonso Costa, sobrevive-lhes o vulto de bronze do estadista, erigido em largos e parques de diversas localidades portuguesas. Seia é uma delas, destacando-se por ter sido a sua terra natal (2).
Muitos senenses terão uma opinião crítica sobre a polémica localização da estátua de Afonso Costa no Largo Marques da Silva e todos aprovaram certamente as obras de limpeza e restauro que, a propósito do Centenário, devolveram à estátua de bronze e pedestral de granito o aspecto original, mas muito poucos saberão quem foi o autor dessa escultura/monumento. Na verdade, trata-se de uma autora, Dorita Castel-Branco.
De aspecto frágil e sensível - muito diferente da figura tradicional do escultor, Dorita Castel-Branco afirmou-se lidando criativamente com os materiais brutos da escultura, a pedra, o ferro, a madeira, para produzir a pequena peça, a medalha precisa e delicada, ou o grande conjunto escultórico destinado à praça pública. “Moça frágil, desmedido escultor” – assim a classificou Jorge Amado, após uma visita ao seu atelier, em 1982.
Dorita de Castel-Branco nasceu em Lisboa a 13 de Setembro de 1936. Faleceu em Lisboa em 23 de Setembro de 1996.
Em 1962, concluiu o curso superior de escultura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Em 1963 e 1964, frequentou em Paris a Escola Superior de Belas Artes e a Academia das Artes do Fogo com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian.
Em 1981, Dorita marcou o ano artístico graças à inauguração de duas importantes obras de sua autoria: o conjunto escultórico dedicado aos Emigrantes, no largo fronteiro à estação de Santa Apolónia, em Lisboa, e um grande monumento na ilha de Taipa, em Macau. Outra das suas obras inauguradas em 1981 foi a estátua de Afonso Costa, em Seia. O próprio Presidente da República à época, General Ramalho Eanes, presidiu à cerimónia realizada em 08 de Novembro de 1981, 44 anos após a morte de Afonso Costa no exílio (Paris, 01 de Maio de 1937) e dez anos passados sobre a transladação dos seus restos mortais para o jazigo da família em Seia – em 1971, no centenário do nascimento.
No ano seguinte, a 20 de Dezembro, é inaugurada outra grande obra de Dorita Castel-Branco, o Monumento ao Centenário da Cidade da Figueira da Foz, na Rotunda do Centenário. A medalha comemorativa dos 100 anos da cidade também foi realizada pela escultora.
Para além da linguagem específica das formas (estilizadas, geometrizadas, muitas vezes exprimindo movimento) o que sobressai das obras da escultora lisboeta é uma grande força interior. De acordo com o Prof.José Fernandes Pereira (in Dicionário de Escultura Portuguesa, 2005), “A escultura de Dorita rejeita todos os elementos vinculados à escultura tradicional. Num trajecto que parte da figuração para a essencialidade da forma, o seu projecto artístico baseia-se num processo de simplificação gradual da figura, esquematizada e descaracterizada, até atingir uma síntese plástica não figurativa, inserindo-se numa tendência cada vez mais forte para a forma pura, perceptível e abstracta”.
Professora do ensino liceal a partir de 1962, exerceu a docência durante 34 anos, em simultâneo com a actividade artística. Como escultora, foi distinguida com diversos prémios, entre os quais o o 1º prémio da II Bienal Internacional del Deport, Barcelona (1969) e o 1º Prémio Edinfor de Escultura (1993).
A maior parte da sua obra criativa encontra-se dispersa por espaços públicos, museus e colecções privadas em Portugal e no estrangeiro. Só em matéria de escultura pública, contam-se 34 esculturas ou conjuntos escultóricos implantados em jardins, praças ou edíficios públicos por todo o país, no antigo território de Macau (Ilha da Taipa), no Brasil e na Venezuela. Porém, um conjunto representativo de esculturas, medalhas e desenhos pode ser apreciado sob marcação prévia na Casa Museu Dorita Castel-Branco, localizada na Quinta da Regaleira, em Sintra.

Sérgio Reis

Notas de Rodapé:
(1) As comemorações do Centenário da República iniciaram-se a 31 de janeiro de 2010, no Porto, evocando a primeira revolta armada contra a monarquia (31 de Janeiro de 1891) e terminam a 19 de Agosto, data da aprovação da 1ª Constituição Republicana (19 de Agosto de 1911), conhecida pelo nome de Constituição de 1911.
(2) A casa onde nasceu Afonso Costa foi demolida nos anos 60 mas pode ser vista num desenho do artista senense Júlio Vaz Saraiva (J.V.S.).

Siga-nos no twitter

Úteis

O Meu Jornal

Notícias Relacionadas

Subscreva as nossas noticias via RSS

Consulte os resultados desportivos

Produzido por ardina.com  
© Porta da Estrela - Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.
Email do Porta da Estrela: geral@portadaestrela.com.
  Topo