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SECÇÃO: Cultura

“As três faces da Deusa”
Exposição de Victor Mota e Carlos Oliveira no Posto de Turismo

Escultor explora limites estruturais da forma e a conjugação de vários níveis de figuração
Escultor explora limites estruturais da forma e a conjugação de vários níveis de figuração
O ceramista e escultor Victor Mota nasceu em Peniche em 1967 mas formou-se nas Caldas da Rainha, nessa escola de excelência que é o Cencal. Aí, bebeu das nobres tradições ceramistas caldenses (Manuel Mafra, Rafael Bordalo Pinheiro, Avelino Belo, Francisco Elias) aprendendo com Herculano Elias e Euclides Rebelo, sendo igualmente reconhecível na sua obra alguma influência moderna de Armando Correia. Porém, o que transparece nos trabalhos de Victor Mota é a predisposição a inovar, explorando com preocupações de escultor os limites estruturais da forma e a conjugação de vários níveis de figuração, bem patentes nas suas figuras “estilizadas”. Se em peças como “Mãe Sentada”, “Mulher Grávida” ou “Mulher Pousando”, se destaca a transição fluída dos volumes, cheios e pesados, para elementos dinâmicos ritmados, ou se a verticalidade cónica e fria das figuras das “Mães” é salva pela poética graciosa do seu gesto materno, o ceramista/escultor arrisca-se na série “Mulheres Estilizadas”, combinando o pormenor modelado com realismo e “estilizações” estruturais, relacionando “estilos” diversos, apontamentos estéticos distintos, recorrendo ao grafismo, animando com vidrados as texturas e cores oferecidas pelo grés. Em peças como “Mulher Insinuante”, destaca-se ainda um sujestivo dinamismo das formas, no caso um dinamismo insinuante, que excede a mera exigência de representação.
No texto de apresentação da exposição, pode ler-se: “O trabalho de Victor Mota define-se com base numa profunda e criteriosa pesquisa sobre a sensibilidade e a relação de formas e conteúdos, no estudo moroso e cuidado de esboços que originam e enquadram o seu processo criativo”.
A estranheza do resultado, pedaços de realismo presos a formas antropomórficas simplificadas, incompletas, fala do compromisso do artista, tentando atravessar o espelho da natureza e da tradição rumo às maravilhas do artificialismo moderno. Ou, simplesmente, das vantagens de combinarmos o antigo e o moderno, as cadeias cíclicas da evolução, para projectarmos avisadamente o futuro. Ou ainda, como sugere o título da exposição, a representação do tempo através dos degraus míticos da vida da mulher, “As três faces da Deusa: Donzela, Mãe e Anciã”.
A exposição, que decorre até 31 de Março, integra ainda oito esculturas de Carlos Oliveira, em alabastro cristalino, inseridas na mesma temática mas com preocupações essencialmente ornamentais, tirando partido da particularidade translúcida desse material para iluminar as formas esculpidas. Natural das Caldas da Rainha, onde nasceu em 1963, Carlos Oliveira aplica nas suas obras a experiência reunida ao longo do seu percurso na indústria cerâmica, do vidro e das resinas, assim como através de pesquisas e investigação na área dos materiais e técnicas de aplicação.

Sérgio Reis

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