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Clientes do BPN ocupam agência Clientes do BPN exigem em Seia devolução dos depósitos
Cerca de três dezenas de clientes que se sentem lesados pelo BPN entraram pacificamente na agência bancária de Seia, na passada quarta-feira, apesar de alguns deles estarem a ficar desesperados por verem que ninguém assume os valores depositados. Tratou-se de mais uma acção de protesto no país, com os clientes lesados a reivindicarem a devolução dos depósitos a prazo, cujo resgate estava previsto para Agosto, e que alegam terem sido transformados, sem a sua autorização, em papel comercial da Sociedade Lusa de Negócios. Empunhando cartazes onde se lia: “Honrem os vossos compromissos, como nós honramos os nossos”; “Confiámos no BPN. O BPN não nos respeitou”; “Vendam o Banco mas primeiro paguem o que devem”; Fomos enganados, só queremos o nosso dinheiro”; Haja justiça, devolvam as nossas economias”; “Sentimo-nos enganados e burlados por gente da nossa confiança”; “Foram violados os deveres de boa-fé e informação nos produtos financeiros”; e “Onde estão as nossas economias de uma vida inteira de trabalho?”, os clientes manifestavam a sua indignação perante a vigilância da GNR.
Famílias estão desesperadas Mostrando o desespero pela situação em que está a viver, Paula Silva referiu: «O meu pai depositou as economias de uma vida inteira de trabalho» e «como havia uma relação de confiança com as pessoas, eram amigos, eram famílias, a maior parte das pessoas confiou no gerente e depositaram aqui as suas economias», pensando que «estavam a ser depositantes e não investidores». Alega que a situação ainda piorou a saúde do seu pai, e «como já tinha arritmia cardíaca, morreu em Abril com um AVC devido a esta situação», frisa Paula Silva que tem «esperança» de recuperar os 100 mil euros que o progenitor tinha no Banco, prometendo «lutar até ao fim». Também Abílio Rebelo referiu que só tomou conhecimento de que o seu dinheiro tinha sido aplicado «quando vieram a público as primeiras notícias». Ao deslocar-se à agência foi-lhe pedido «para aguardar» e que «mantivesse a serenidade» mas «no final deram-nos um rebuçado para nos calar, porque foi-nos dado 10 por cento do capital investido e os respectivos juros», faltando os restantes 90 por cento, conforme fez questão de sublinhar, esperando «que haja vontade política» para tal acontecer. Contou ainda que das diversas vezes que pediram esclarecimentos, os funcionários disseram que «não têm ordens superiores para pagar», dizendo que tal informação lhe tem sido transmitida desde que terminou o prazo do vencimento do depósito. «Venho cá assiduamente duas, três vezes por semana e é o que me dizem nessas ocasiões», frisou o comerciante.
Queixas às CMVM para levantar processos de contra-ordenação A tese de que os clientes não se aperceberam de que estavam a investir em papel comercial, sem qualquer garantia, voltou a ser levantada e classificada como «uma ilegalidade» que vai ser denunciada às entidades competentes. «As pessoas não faziam a menor ideia o que é que estavam a subscrever, e mais, não sabiam, e ainda hoje não sabem, o que é papel comercial e, sobretudo, não sabiam que isto não tinha qualquer garantia», denunciou Mário Bento Silva. O jurista que presta serviço na Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Clientes do BPN adiantou que quando um Banco não explica às pessoas o que é que está a vender «é uma acção ilegal», sublinhando que «estão a ser preparadas queixas» para a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que é a entidade «a quem cabe supervisionar essa questão», esperando que «actue com pulso», abrindo processos de contra-ordenação «por violação do dever de informação», porque «se dissessem a verdade ninguém investia em unidade de 50 mil euros sem qualquer garantia», salientou. Nem o facto de o Secretário de Estado do Tesouro ter referido no dia anterior numa reunião com a Associação, a quem foi entregue um dossier bastante documentado, «de que vai procurar que a SLN pague» e de que «o BPN participe na solução do problema» vai fazer desmobilizar os clientes, que estão dispostos a endurecer a luta. Mário Bento afirmou que o número de clientes lesados no balcão de Seia, e que são conhecidos pela Associação, ascende a 22, desconhecendo o seu montante. No entanto, a nível nacional, referiu que o papel comercial, que venceu em Julho e Agosto, «ascende a 150 milhões de euros», mas que há também «aplicações em obrigações» num valor que desconhecem. António José Henriques, presidente da Associação, afirmou à Lusa ter conhecimento de um fax enviado a 26 de Julho de 2008 pelo então director comercial e actual administrador do BPN, Jorge Pessoa, em que este «incentiva os funcionários a sugerirem aos clientes a transformação dos seus depósitos em papel comercial, afirmando que esta operação não envolvia qualquer risco», garante. «Os funcionários sentem-se também enganados e estão do nosso lado», afirmou aquele responsável associativo. A decisão da concentração na agência, para exigir a entrega das várias aplicações financeiras que fizeram, tinha sido tomada uma semana, no decorrer de uma reunião com quatro elementos da Associação, que se deslocaram a Seia para se reunirem com alguns lesados pela instituição bancária. Na ocasião, António Henriques disse ao PE que «as pessoas estão fartas de esperar» e que o clima «está um pouco emotivo». Adiantou também que nas diversas reuniões locais que já realizaram «notamos que as pessoas estão com uma grande ansiedade», e que «há casos dramáticos», como foi demonstrado na reunião. A Associação, com sede nacional em Alcobaça e que já conta com 500 associados, tem andado a fazer uma ronda para ouvir as instituições financeiras e também a percorrer algumas localidades do país, aconselhando as pessoas a agrupar-se e a efectuar acções programadas para reivindicar o que têm direito. Com este “canal de pressão”, os dirigentes esperam conseguir os objectivos antes de programarem uma mobilização a nível nacional. «Já sensibilizámos a administração do Banco e penso e acredito que os administradores estão sensíveis para a resolução do problema. Eles dizem que não têm resolução de imediato, mas nós acreditamos que a curto prazo vão resolver a situação», adiantou o presidente da Associação. A manifestação espontânea contou também com a participação de clientes lesados pelos balcões da Guarda e do Sabugal.
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