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Edição de 21-07-2010
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Arquivo: Edição de 31-08-2009

SECÇÃO: Opinião

REFLEXÕES
Terminaram as férias! O tempo que se aproxima é a altura de ponderarmos.

Dois momentos importantes se avizinham. Traduzem-se na escolha de quem melhor se apresentar para conduzir os destinos e os interesses do País e do Concelho. Esta é uma tarefa que nos deve absorver e preocupar o necessário.
No caso concreto da Câmara três listas de concorrentes se apresentam, todas comandadas por professores da Escola Secundária de Seia. Pelo menos no que à Educação diz respeito receios não deverá haver de que qualquer um estará mais que preparado. Para o Ensino no Concelho vai a sensibilidade que nem todos os outros sectores poderão ter. Esperemos pelos programas e projectos.
Eleições não significam só por si democracia. A democracia exige apresentação de projectos diferentes. Reclama discussão saudável das ideias para se optar pelos melhores rumos. A democracia representativa envolve todos os cidadãos e sai deles a responsabilidade das escolhas que se hão-de traduzir em boas ou más.
Uma Sociedade deve estar esclarecida e sobretudo ser exigente no respeito e no cumprimento dos projectos que melhor poderão conduzir ao progresso e desenvolvimento do Concelho que hão-de permitir criar riqueza e distribuir os recursos que beneficiem a Sociedade no seu bem estar económico e social.
A cor partidária ou o nome do candidato não devem servir de mera opção.
A economia e a política social têm percursos e destinos paralelos. Desenvolver acções sociais sem os meios que vêm da economia, seja no País seja no Concelho, não tem consistência. Só a economia produz a riqueza que só depois se poderá aplicar.
O nosso Concelho precisa urgentemente de ver definidos os projectos de desenvolvimento económico que tem de merecer as preocupações dominantes: turismo, comunicações, património cultural, média indústria, agricultura, estruturas de promoção recreativa, artesanato, natureza, emprego, combate a desertificação, entre outros.
Nos últimos anos a decadência económica e social de Seia acentuou-se de forma visível e preocupante. A Câmara voltou-se para obras dispendiosas que no seu maior número não acrescentou a mais valia que a Cidade e o Concelho precisavam.
Não definiu prioridades nem concentrou recursos nos sectores dos quais poderiam resultar as compensações para o desemprego, do encerramento dos postos de trabalho, do abandono das aldeias, do decréscimo da população.
Não foram combatidos os sinais de preocupação, não obstante o enorme endividamento da Câmara que vai condicionar o futuro e constitui um dos problemas nos próximos anos.
Vai ser preciso trabalhar muito, exercer influência, ter muita iniciativa e ser exigente nos gastos.
Democracia exige que cada um de nós saiba o que pensam e mais preocupa os integrantes das listas candidatas em termos de desenvolvimento económico e de práticas sociais. Uma Sociedade esclarecida e responsável tem de ser muito mais exigente e interventiva. Não deve cair-se nos cheques em branco nem na indiferença.
Ao lado de uma Câmara com projectos definidos e rumos bem traçados e que não se preocupe com os votos ou com a cor partidária é fundamental uma Assembleia Municipal constituída por elementos estudiosos empenhados e dedicados que exerçam a sua função de representação, que não se limite à retórica inútil ou a aceitar votar simples propostas que não trabalhou e lhe foram apresentadas sem serem questionadas e debatidas.
Os cidadãos e os interesses deste Concelho terão não aquilo que eles quiserem mas o que lhe impuserem se não forem exigentes e esclarecidos.


A Volta de Seia no palco da televisão

A etapa de ciclismo que terminou na TORRE no dia 15 de Agosto e o programa “Há Volta” possibilitaram a Seia alguma propaganda, o que raramente acontece, e por isso, em nossa opinião, deveria ter sido integralmente aproveitada.
A ligação das palavras SEIA – TORRE parece não entrar na terminologia da Comunicação Social, que se limita, na generalidade, a utilizar a palavra TORRE. Disso beneficiou a Covilhã, que, sem grande justificação, intrometeu na programação do espectáculo da TORRE a representação do seu folclore típico daquela região da Beira Baixa, em vez do folclore de Seia, cidade que no fundo suportou as despesas da chegada dos ciclistas à Serra.
Acho, por outro lado, que ficámos em desvantagem comparativamente a outras localidades de onde foi transmitido o “Há Volta”. Outras tiveram oportunidade de ver divulgados os seus melhores “cartões de visita” enquanto nós ficámos pela exibição da bela paisagem da montanha, que mais nos diz directamente respeito.
Quanto à prestação em si, creio que as nossas representações ficaram algo aquém do que era desejável. Sem desprimor pelo B.T.T., pela Fanfarra (apresentada pelo Comandante em vez do “maestro”), ou pelos brinquedos do Museu. Deveríamos ter aproveitado a oportunidade para cativar visitantes a observar os recursos que dispomos. Insistiu-se nos Museus, que me parece ser um aspecto bem conhecido. Não se promoveram os produtos artesanais, sendo, apenas, referidos os vinhos, mas onde só dispomos de poucas marcas conceituadas que, todavia, nem foram referidas.
Dois ilustres autarcas tiveram a responsabilidade de falar e divulgar o Concelho. Em nossa opinião, fizeram-no bem, mas não abordaram os aspectos fundamentais ou tidos por mais importantes.
Carragozela ficou no ouvido dos espectadores como terra de muito e bom queijo e de excelente gastronomia, referência que, sinceramente, não aplaudimos porque não havendo restaurantes não deveria fazer convites para apreciar o que não há. Apresentou o queijo como uma importante actividade artesanal, o que é verdade e importante fazê-lo. Será mesmo ou era até há pouco a terra com mais rebanhos. Desconheço se é a que, actualmente, fabrica mais queijo artesanal no Concelho. A povoação de Carragozela progrediu nestes últimos anos de uma forma sustentada nas suas estruturas colectivas. A sua Banda é um extraordinário cartaz cultural.
Não pode esquecer, porém, a reabilitação da malha urbana, cujo envelhecimento é notório, nem descurar as ligações das vias rurais e municipais. Apresentar a Festa de São João com, apenas, vinte ou trinta anos como uma tradição, quase parece uma provocação à vizinha Folgosa. Ainda se fosse o S. Silvestre…
O actual Vice-Presidente da Câmara colocou a importância nos aspectos culturais, museus e “cineEco” (o que não recolhe grande entusiasmo mesmo salientando a vertente do ambiente e na criação de emprego e combate ao desemprego).
Estes dois aspectos eram os apontados como mais importantes no inquérito do seu site da sua candidatura.
Não utilizou, no fim do programa, o tempo dado pelo apresentador (o que é uma perda importante), o maior palco para reforçar as ideias da importância das estradas nacionais de ligação à Serra, a Viseu e a Coimbra. Não foi feita sequer uma breve referência. Sem acessos condignos não há desenvolvimento. O desejo do aumento de emprego é o mesmo em qualquer parte do País, em todo lado é considerado uma prioridade.
Sem se apontar como se melhora a questão, a onde e da responsabilidade de quem, nada convence. Sem haver todas as condições e incentivos para a instalação de empresas e serviços é inverter a ordem das questões.
Os enchidos e o queijo não tiveram referências, sobretudo na preocupação em distinguir e pôr em evidência as qualidades impares do queijo desta região. Vimos nesta Volta apresentar queijo da Serra a produto fabricado fora da região serrana. Estas confusões devem ser aclaradas, porque, com elas, só perde o Concelho.
Estas dúvidas são intencionalmente criadas por quem lhes interessa.
Os aspectos do Turismo, à promoção da Serra, ligada à importância do aeródromo, que era ali tão oportuno, gastronomia, os pontos paisagísticos, o património e as estradas ficaram de fora do que seria de considerar de maior importância. Alguns não foram tão pouco referenciados. Uma imagem de um Concelho com dinâmica económica no comércio e nos serviços teria criado outra ideia de Seia.

Por: Alcides Henriques

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