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PROVERE Serra da Estrela
No passado dia 24 de Setembro decorreu a apresentação, aos parceiros fundadores, das grandes linhas de orientação do Programa de Valorização Estratégica de Recursos Endógenos, PROVERE de sua sigla, que pretende discriminar positivamente a Serra da Estrela. Para título tão erudito, convenhamos que se conseguiu uma sigla bem sonora e com carisma. O prefixo “PRO” determina algum voluntarismo, que no caso presente foi da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional, a favor dos territórios a que se destina em exclusivo, chamados de baixa densidade. Não é que nestes seja mais leve e menos densa a terra que a todos um dia há-de cobrir. Se assim fosse, ela tinha apenas como consequência evitar as artrites e os reumatismos póstumos. A baixa densidade refere-se antes à escassez de população, de empresas, de serviços, de conhecimentos, de tecnologia e logo de empregos. E os resistentes, ou teimosos, como se prefira chamar aos que persistem em por cá viverem, ficam por ela tolhidos na acção, por reumatismos de espírito com consequências bem mais funestas. A ter sucesso, o referido PROVERE, que só será uma realidade se o seu Plano de Acção ainda a elaborar for aprovado, será programa a ficar no território, mesmo para além do final em 2013 do actual QREN, o Quadro Nacional de apoio comunitário onde se integra. Com efeito, sendo o mesmo destinado preferencialmente aos privados e suas empresas, não apenas às sedeadas no território, mas a todas, nacionais ou mesmo multinacionais que nele pretendam investir, deverá perpetuar uma concertação estratégica que agora foi conseguida entre privados e Câmaras Municipais. Os cinco municípios em torno do Maciço Central e o único do seu interior, Manteigas, integram como parceiros fundadores a parceria que deverá dar origem a um consórcio cujos custos de funcionamento serão apoiados e fará a coordenação e promoverá a acção. Já houve quem referisse que se fez história, por se ter conseguido sentar à mesma mesa municípios que ainda há bem pouco tempo se manifestavam profundamente divididos, por exemplo, quanto a acessibilidades. Pessoalmente penso que se poderá de facto estar a viver um momento histórico, mas não por subsídio-motivações. Quando no passado a mesa esteve posta com fundos europeus, já os municípios da região se serviram em conjunto. Desta vez, e mesmo antes de haver um programa deste tipo, os seis municípios que integram o território do PNSE já se haviam concertado para pensar estrategicamente a Serra da Estrela como um espaço sub-regional com uma identidade muito forte, cujo desenvolvimento merecia ser pensado de forma integrada. O aparecimento do PROVERE foi a janela de oportunidades surgida para afirmar uma estratégia que lhe era anterior. Pese embora os investimentos públicos, neles incluindo os municipais, serem apenas supletivos ou complementares dos privados, os seis municípios associaram-se sem grandes hesitações à disponibilidade da Câmara da Guarda para liderar uma candidatura. Foi uma das oito aprovadas, entre as 22 apresentadas na Região Centro. A qualidade e robustez dos parceiros privados fundadores que aderiram não dispensava no entanto a participação das Câmaras, que foi determinante para credibilizar a intenção de afirmar um território conjunto. A referida reunião decorreu na Câmara da Guarda e avalizou a orientação que define como recursos endógenos inimitáveis deste território a montanha e o ar de altitude. Serão estes activos, naturais e ambientais, e a forma de os valorizar economicamente a equação cuja proposta de solução o Plano de Acção a ser agora elaborado deve indicar. Este deverá dar a garantia da preservação de tais activos, apontando para um desenvolvimento turístico sustentável. Deverá também dar coerência e propor conteúdos à oferta do turismo de montanha/natureza e o de saúde e bem-estar, ancorados na singularidade do território e na qualidade incontornável do ar de altitude e da água, incluindo a termal, que brota da montanha e das suas falhas. A abordagem estratégica passa por afirmar no mercado a marca Serra da Estrela, associando-a aos novos valores de ambiente não poluído, logo saudável. A racionalidade empresarial com que se pretende gerir esse marketing territorial impõe uma economia de meios e uma eficácia que passa por utilizar os produtos locais como embaixadores do território. Daí a justificação para a criação das chamadas “Portas da Serra”, ou “Portas dos Hermínios”, se o marketing assim o aconselhar, como projecto âncora e equipamento que em cada concelho deve existir com uma imagem de marca comum, a comercializar produtos locais certificados com o selo verde das áreas protegidas. O outro projecto âncora previsto é a afirmação da região, como território de excelência Bioclimática, através da concepção e promoção de um cluster ambiental que além de criar actividades económicas em torno da qualidade do ar permita desenvolver o turismo de saúde, nomeadamente para as doenças do foro respiratório. Em conjunto com as termas da região e os equipamentos SPA´s e outros que as unidades hoteleiras venham a instalar, passar a imagem não só de um território de excelência turística, mas destino saudável e de bem-estar (wellness), com programas que permitem a desintoxicação da grande cidade e o chamado “extreme fitness”. O “extreme fitness”, para o qual só não se encontra palavra portuguesa se não se procurar, deve ser traduzido, não como emagrecimento anoréxico, mas antes como robustez, vigor ou boa condição física. O Plano de Acção que entrará agora em velocidade cruzeiro de elaboração deverá contar ainda com outros investidores para além dos parceiros fundadores. Estes já fizeram chegar à Câmara da Guarda uns quantos projectos que foram apresentados na referida reunião como projectos complementares e aguarda-se que numa reunião agendada para breve surjam novos parceiros com outros projectos.
Por Lemos Santos
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