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Governo apresentou acessibilidades à Serra da Estrela «Chegou a hora de Seia»
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| Paulo Campos salientou “pressão” de Eduardo Brito e Maria do Carmo Borges |
Com a contratação dos estudos necessários para o lançamento da Concessão da Serra da Estrela (IC6, IC7 e IC37) «foi dado o passo decisivo para resolver os problemas das acessibilidades da região, que vai assegurar uma transposição do território mais segura, rápida e cómoda». Estudo prévio está adjudicado e deverá estar concluído em Abril de 2009. O Governo prevê lançar em 2009 o concurso público internacional para a construção da Concessão da Serra da Estrela. O anúncio foi feito em Seia, no passado dia 3 de Julho, pelo Secretário de Estado Adjunto das Obras Públicas e Comunicações, onde afirmou que «chegou a hora de Seia». Os estudos contemplam a construção do itinerário complementar (IC) nº 6, desde Tábua à Covilhã, do IC7, entre Folhadosa/Torroselo e a A25, em Fornos de Algodres, e do IC37, entre Folhadosa/Torroselo e Viseu. «Chegou a hora da Beira Serra, senhor presidente. Chegou a hora de ajudarmos a desencravar um território que até agora não tinha boas acessibilidades, realizando o maior investimento público nesta região. Chegou a hora de o País ser solidário com esta região. Chegou a hora de Seia, senhor presidente. Chegou a hora de investirmos no interior, de assumirmos um País coeso territorialmente e de assumirmos um desenvolvimento harmonioso para Portugal». Foi desta forma que Paulo Campos iniciou o seu discurso de apresentação dos projectos que o Governo elaborou nos últimos três anos, salientando que «é propósito deste Governo lançar um pacote ambicioso de investimentos que se centram essencialmente no desenvolvimento das acessibilidades para o interior do País, [nomeadamente] para zonas onde até hoje pouco ou nada se tem feito desse ponto de vista». Recordou que quando chegou ao Governo verificou que o Distrito da Guarda era no País «o que tinha a mais baixa taxa de execução no Plano Rodoviário Nacional», tendo-se deparado também «com a inexistência» de qualquer estudo para a rede rodoviária da região da Serra da Estrela. Nesse sentido, elogiou o papel da Governadora Civil da Guarda, Maria do Carmo Borges, e do Presidente da Câmara de Seia, Eduardo Brito, que «foram incansáveis no apoio, no desafio, na contribuição e no desassossegar o nosso espírito, porque não nos deixaram descansados durante muitas horas». Sublinhou mesmo que «o telefone tocava praticamente todas as semanas». Paulo Campos disse que em relação à escolha do Governo «os resultados são muito claros» e que irão permitir uma transposição da Serra da Estrela «mais segura, rápida e cómoda». Depois da apresentação dos estudos comparativos das diferentes soluções, «que pôs as forças vivas dos concelhos a discutir», o governante refere que «nós não temos qualquer hesitação relativamente a esta matéria». Sabendo que os investimentos não vão ter retorno em termos de receitas, não se pagando a si próprios, uma vez que as estradas não vão ter portagens, o Secretário de Estado não se mostrou preocupado com essa situação, porque, disse, «sabemos que o benefício social que as estradas trazem para esta região compensa os custos financeiros». Não querendo «um País a duas velocidades», o governante frisou que os investimentos em acessibilidades que têm estado a ser lançados pelo Governo são da ordem dos 92 por cento no interior e oito por cento no litoral, investimentos que vão ser suportados «pelas concessões que geram receitas», nomeadamente as concessões da Grande Lisboa, do Douro Litoral, da Auto-Estradas do Centro, do Baixo Tejo e do Túnel do Marão. «É neste equilíbrio que se consegue fazer avançar o País sem desequilibrar as contas públicas e onerar o Orçamento», explicou.
Dia histórico Eduardo Brito considerou a apresentação da Concessão da Serra da Estrela «um dia histórico» pelo facto de estarem decididos os eixos rodoviários «pelos quais lutamos há 30 anos». «Não havia melhor coisa para recuperarmos e rejuvenescermos a nossa confiança do que aquilo que vai acontecer aqui hoje», salientou. Disse depois que a decisão «altera radicalmente todas as condições» para Seia, Oliveira do Hospital, Tábua, Gouveia, Celorico da Beira e Nelas, concelhos que a partir do momento em que as obras se começarem a concretizar ficam «com as mesmas condições que os outros», sublinhou o autarca, que referiu também que assim «criam-se as condições para surgirem pólos de desenvolvimento, regiões com progresso, que se afirmam, que se desenvolvem e que podem competir, até porque têm condições para isso». Deixou ainda uma «palavra de apreço» para as freguesias do alto Concelho, desde a Lapa dos Dinheiros a Vide, assim como para as freguesias do concelho da Covilhã, «para quem estes itinerários são absolutamente fundamentais», vendo com a decisão do Governo «uma janela de oportunidade e de esperança». Todavia, e certamente dirigindo um recado àqueles que agora se propõem alterar os traçados, Eduardo Brito relembrou que o Governo «já decidiu» e que a partir de agora «todos nós temos que nos concentrar na execução da obra». Mostrou-se mesmo surpreendido com os colegas de Viseu e Covilhã, que «continuam contra ventos e marés de que isto não é a melhor solução», adiantando que «se nós tivéssemos a A23 e tivéssemos a barriga cheia de estradas como tem Viseu eu também me podia pôr aqui a filosofar sobre os túneis e outras coisas». «Tenhamos equilíbrio e bom senso. A escolha que foi feita foi uma escolha decidida, participada e foi o resultado de um estudo muito sólido, muito científico, bem feito, como nunca se fez», salientou. O estudo prévio para a elaboração dos projectos dos IC’s foi adjudicado à Projectope - Gabinete de Topografia e Projectos, SA, pelo montante de 985.990 euros, e deverá estar concluído em Abril de 2009. O estudo debruçar-se-á sobre uma zona com uma extensão aproximada de 150 quilómetros, com o objectivo de «encontrar uma solução segura, rápida e cómoda para “abrir as portas” à Serra da Estrela». A futura concessão beneficiará directamente os seguintes concelhos: Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia, Manteigas, Seia, Guarda, Oliveira do Hospital, Tábua, Viseu, Mangualde, Nelas e Covilhã. Recorde-se que a apresentação dos eixos rodoviários da e à Serra da Estrela estava incluída na comemoração dos 22 anos de elevação de Seia a Cidade. O acto serviu também para a assinatura do auto de consignação para a construção da Variante à Cidade, assim como para a apresentação do projecto de beneficiação da “Estrada da Serra”, entre Seia, Torre e o Sanatório (ver caixas).
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