|
Maria Júlia Amaral preside à Comissão de Ética do Hospital de Seia
Maria Júlia Amaral, professora doutora, ex-presidente do Comité de Ética da Federação Ibero-latino americana de Cirurgia Plástica, e ex-directora do Hospital de Santa Maria em Lisboa, onde dirigiu ainda vários serviços, é a presidente da Comissão de Ética do Hospital de Nossa Senhora da Assunção, de Seia. A convite do presidente da unidade, Luís Vaz, aceitou colaborar com o hospital, tanto mais que passa grande parte do tempo em Travancinha, Seia, por força de aposentação. Em declarações ao PE, Luís Vaz explicou o que pretende com a criação desta Comissão «Esta unidade não tem protocolos de ensaios clínicos, e por isso fica esvaziada uma da principais incumbências legais da Comissão de Ética, mas há muito mais que se pode fazer pela comunidade. Nem é preciso ter engenho e arte para verificar que há hoje um manancial de novas interrogações e novas formas de estar em Saúde. Hoje o utente tem o direito de ser informado quer do seu estado quer da terapêutica, quer das alternativas. Mas hoje também com o movimento acelerado desta sociedade podemos ser tentados a ignorar os elementares direitos de quem, afinal, é o objectivo de toda a actividade». Explicando que o que pretende é formar uma cada vez maior consciência interna para as matérias do consentimento informado, para as questões relativa à bioética e da aplicação da Biologia e Medicina, «tornava-se necessário ter alguém que soubesse do que se trata e, além disso, tivesse capacidade técnica e cientifica para poder decidir ou ajudar a decidir questões, quer no domínio do ajuste de procedimentos internos, sempre que tais questões possam contender com preceitos dessa natureza, quer mesmo como informação ao utente ou instruindo parecer sobre reclamações por este apresentadas». Deu como exemplo uma reunião efectuada com membros da Igreja Testemunhas de Jeová que, como é do conhecimento público, têm restrições a determinadas práticas médicas e terapêuticas e que «merecem uma atenção cuidada, para a qual, por exempelo, já foi feita uma reunião com responsáveis da Associação das Testemunhas de Jeová, a que esteve presente a senhora Professora Doutora». A Associação pretende protocolar com o Hospital que os seus associados têm as suas crenças respeitadas, que a sua recusa de serem tratados com sangue ou produtos de sangue será protegida, facilitando a unidade o tratamento médico sem sangue, sempre que isso for possível, e provendo aos médicos e ao hospital informação sobre o tratamento aceite por estes pacientes, enunciando os procedimentos a serem seguidos, para evitar confrontações desnecessárias. O Hospital está a analisar a proposta de protocolo, esperando parecer da comissão de ética. Ajustou-se, assim, com a respectiva presidente um conjunto de acções e de informações em que pode acompanhar, profissionalmente e eticamente, alguns procedimentos na Instituição, e que são ou podem ser mesmo objecto de reclamação ou possam constituir especificidade técnica que o saber e experiência ajudam a incrementar. «Desejávamos que a presidência da Comissão fosse desempenhada por pessoa exterior à unidade, o que conseguimos. Trata-se de uma pessoa com experiência internacional, mas o que importa é que dará um excelente contributo para o aprofundar de respostas a questões cada vez mais actuais», referiu Luís Vaz. Maria Júlia, que dedicará parte do seu tempo por mero prazer e sentido útil na colaboração, representará o Hospital em colóquios, seminários e outras iniciativas e com a informação obtida fará eco internamente, prometendo, sempre que se justificar, escrever para a comunidade. Esse é, segundo o presidente, um dos grandes motivos e objectivos da colaboração: chegar ao utente e ao cidadão em que urge respostas a questões que são cada vez mais actuais e pertinentes.
|